Entre novos tremores, Bachelet se defende de críticas

Santiago do Chile/Concepción (Chile), 3 mar (EFE).- Em meio a uma série de tremores que ainda assusta a cidade de Concepción e a novas ameaças de tsunami, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, se defende das críticas ao Governo pela forma como atuou após o poderoso terremoto de sábado passado.

EFE |

"Somos todos generais depois da guerra", afirmou a presidente em uma entrevista à "Radio Cooperativa", ao ser questionada sobre as acusações de inaptidão do Governo pela gestão na crítica situação gerada pelo terremoto.

A presidente aconselhou os habitantes das regiões litorâneas que foram arrasadas pelo tsunami de sábado que fujam para áreas mais altas no caso de novos sismos.

O conselho foi seguido pouco depois. Por volta das 14h45 (na hora local e em Brasília), vários moradores de Concepción e de Talcahuano começaram a correr para locais altos perante o risco de que o terremoto de 5,9 graus que acabara de acontecer gerasse um novo tsunami.

O epicentro, segundo o serviço geológico dos Estados Unido, foi no mar, a 53 quilômetros de Concepción, uma das cidades mais atingidas pelo terremoto de sábado. O Governo até agora confirmou 802 mortes e dois milhões de desabrigados na tragédia.

Em Santiago, cerca de 30 minutos depois da correria em Concepción, o Escritório Nacional de Emergência (Onemi) assinalou que o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha tinham descartado um tsunami.

Os dois serviços foram criticados por, devido à falta coordenação entre ambos, a população de várias cidades litorâneas e do arquipélago de Juan Fernández, a 600 quilômetros da costa, não ter chegado a ser informada do tsunami em tempo hábil para fugir.

Bachelet atribuiu hoje a falha aos problemas de comunicação próprios de uma tragédia de tal magnitude. No entanto, as críticas não são apenas sobre esse ponto.

Também se acusou o Governo de não ter previsto os problemas ocorridos nas cidades mais atingidas pelo terremoto, como Concepción e Talcahuano, onde houve saques e vandalismo, e de ter reagido tarde para controlar a situação.

Além disso, houve várias queixas porque a ajuda demorou a chegar às vítimas do terremoto. Três e quatro dias depois da tragédia, havia sobreviventes que não tinham recebido ajuda alguma.

O Governo chileno pediu ajuda internacional na segunda-feira perante a ONU e, nesta terça-feira, o auxílio começou a chegar.

A presidente, que acusou alguns analistas de opinar sem embasamento suficiente, disse que em vez de buscar culpados, é preciso tirar lições para que no futuro o Chile conte com um sistema de comunicação mais avançado.

"Aqui o que interessa é nos colocarmos a pensar primeiro na emergência e depois, na hora da reconstrução do país, em que medidas teremos que tomar para que obviamente nunca volte a acontecer algo assim", sentenciou.

Também negou ter aberto mão das ofertas externas de auxílio. "Li com surpresa que tinha rejeitado a ajuda internacional", disse.

A presidente explicou que perante as várias ofertas de ajuda que começaram a chegar a partir do momento do sismo, primeiro tinha que fazer um diagnóstico da situação para determinar o que era necessário para, depois, elaborar uma lista.

"É o que fizemos e já temos hospitais de campanha, equipamentos e telefones via satélite", acrescentou.

"Estamos pedindo o que realmente necessitamos, não o que já temos no Chile", comentou Bachelet, que agradeceu a resposta da comunidade internacional à catástrofe.

Ela avaliou positivamente, nesse contexto, as visitas ao Chile dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Alan García (Peru), assim como da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e do chanceler boliviano, David Choquehuanca.

Sobre os saques que houve em algumas cidades do sul do país depois do terremoto, a presidente assinalou que nunca teria esperado isso e que "valores essenciais foram perdidos".

Segundo Bachelet, o número de mortos provavelmente aumentará na medida em que se removam os escombros ou o mar devolva os corpos dos que foram arrastados pelo tsunami. EFE ns/rr

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