Entre grande abstenção, eleição regional desponta como revés para Sarkozy

Piedad Viñas. Paris, 14 mar (EFE).- O presidente Nicolas Sarkozy e seu partido (centro-direita) despontam como os grandes perdedores do primeiro turno das eleições regionais na França, que, segundo as primeiras estimativas, serão marcadas por elevada abstenção.

EFE |

Acompanhado da mulher, Carla Bruni, o chefe de Estado francês não quis falar com a imprensa após votar em um dos distritos mais exclusivos de Paris.

Embora não seja candidato e várias vezes tenha dito que não fazia campanha, o certo é que na véspera da consulta e, se antecipando à derrota que as pesquisas atribuem a seu partido, Sarkozy minimizou a importância do pleito "Eleições regionais terão apenas consequências regionais", afirmou o presidente em entrevista à revista do jornal "Le Figaro" NA entrevista, Sarkozy antecipou ainda que, seja qual for o resultado, não fará mudanças no Governo e na orientação de sua política.

Todas as apostas apontam que sua legenda, a conservadora União por um Movimento Popular (UMP), será a grande derrotada nas eleições.

No entanto, pesquisas e analistas concordam que, caso se confirme a elevada abstenção, toda a classe política perderá por não ter conseguido mobilizar os franceses, que não costumam se interessar muito por consultas regionais.

Na metade da jornada eleitoral, ao meio-dia (8h, Brasília), só 16,07% dos 44,2 milhões de convocados às urnas tinham votado. As de hoje são as últimas eleições antes da grande presidencial de 2012.

O resultado é inferior ao de 2004, quando a participação a essa mesma hora no primeiro turno foi de 18,48%, segundo os primeiros números do Ministério do Interior.

A estimativa está em linha, embora não de forma tão catastrófica, com as previsões das pesquisas que, há alguns dias, alertavam que a abstenção seria o destaque do pleito, podendo chegar a 50%.

Tanto Sarkozy como a apontada como grande vencedora das eleições, a líder da oposição e primeira secretária do Partido Socialista (PS), Martine Aubry, preferiram não se pronunciar até o momento.

O horário de fechamento das urnas em geral é 18h (14h, Brasília), embora nas grandes cidades, como Paris, permanecerão abertas até as 20h (16h).

Só a partir do fechamento total das urnas que poderão ser divulgados os primeiros resultados das eleições que, em 2004, deram um claro triunfo à esquerda, vitoriosa em 20 das 22 regiões metropolitanas - a direita ficou apenas com Alsácia e Córsega.

Hoje, e no segundo e definitivo turno do próximo domingo, os franceses deverão escolher, de entre um total de 252 listas eleitorais, os 1.880 conselheiros que administrarão as regiões durante os próximos quatro anos.

Cada uma das listas deve respeitar o princípio de paridade (um candidato homem e uma mulher) e só poderão passar ao segundo turno as que conseguirem um mínimo de 10% dos votos.

No entanto, as que conseguirem 5% dos votos também poderão se unir às que tenham alcançado o limite de 10%.

Os Conselhos Regionais são formados por assembléias em que são adotadas decisões sobre fundamentalmente o desenvolvimento econômico dos territórios e têm um discurso muito importante para o planejamento e o financiamento do transporte público.

A maior parte de seu orçamento se destina a despesas de pessoal e infraestrutura educativa, a transportes e à formação profissional e, embora sem competências tão amplas como os estados federados alemães e as comunidades autônomas espanholas, podem ser decisivos para o Governo central. EFE pi/rr

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