Entre falcão e pomba, Israel aposta seu futuro

Alberto Masegosa. Jerusalém, 9 fev (EFE).- Os israelenses elegem amanhã entre o falcão Benjamin Netanyahu e a pomba Tzipi Livni para liderá-los em seu futuro em eleições cruciais também para os palestinos.

EFE |

Até 34 partidos concorrem às urnas, mas somente o conservador Likud, de Netanyahu, e o centrista Kadima, de Livni, têm chance de ganhar uma queda-de-braço que, em último caso, pode depender da taxa de participação e que opõe dois conceitos opostos do Estado judeu.

Após meses de liderança folgada de Netanyahu nas intenções de voto, Livni recuperou terreno nos últimos dias e, segundo pesquisada publicada no fim de semana pelo jornal "Ha'aretz", ambos chegam à disputa eleitoral em um virtual empate técnico.

A pesquisa apontou entre 25 e 27 cadeiras para o Likud, e entre 23 e 25 ao Kadima, enquanto o terceiro partido em disputa seria o ultradireitista Yisrael Beiteinu, com 16 a 18 vagas, restando ao esquerdista Partido Trabalhista -do ministro da Defesa Ehud Rarak- o quarto lugar, com 14 a 16.

Com essa eventual divisão -e uma maioria conservadora nas demais formações que estarão representadas na Knesset (Parlamento), de 120 cadeiras-, certo é que, tanto Netanyahu quanto Livni, precisarão contar com Yisrael Beiteinu para formar Governo.

Caso seja Netanyahu, se trataria de uma aliança natural, já que o Likud e Yisrael Beiteinu compartilham um discurso radical que exclui a concessão de qualquer soberania aos territórios palestinos.

Da mesma forma, rejeitam qualquer compromisso com a Síria, a julgar pelas últimas declarações de Netanyahu, que, em ato ontem nas Colinas de Golã, disse que se vencer as eleições essa região seguirá sob controle de Israel, que a ocupou em 1967.

"Golã não voltará a cair", disse em referência à capital das Colinas na Antiguidade, após garantir que "Jerusalém não será dividida de novo" em alusão à exigência dos palestinos de fixar no leste da cidade santa a capital de seu estado.

Do outro lado da moeda está Livni, que aposta na negociação para a criação de um Estado palestino -em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental-, e na devolução das Colinas do Golã, ponto-chave nos contatos indiretos para a paz com a Síria.

Mas se for Livni quem integrar a nova coalizão governamental não é menos seguro que a presença no executivo de Yisrael Beiteinu -um partido com tendências xenófobas-, a obrigaria a dosar sua disposição à negociação.

A possível aliança contra natureza não impediu que o Kadima tentasse até o último minuto aglutinar o centro-esquerda com a mensagem implícita de que contar com Yisrael Beiteinu não é bom, mas que um Governo do Likud com esse partido seria pior.

"A questão não é se (o partido pacifista) Meretz ganhar cinco ou sete cadeiras, ou os trabalhistas ganharem 14 ou 16, o que está em jogo para a esquerda é Tzipi ganhar de Bibi" (Benjamin Netanyahu), sublinharam hoje na imprensa local porta-vozes do partido de Livni.

Diante do panorama das pesquisas, dois fatores poderiam inclinar finalmente a balança rumo ao falcão Netanyahu, que representa Israel irredutível e inflexível, ou a pomba Livni, que encarna a incipiente vontade de entendimento com os vizinhos árabes.

O primeiro desses fatores é o índice de comparecimento às urnas entre o um milhão de possíveis eleitores que se declaram indecisos, o que significa aproximadamente 20% do total.

Segundo as previsões, uma alta participação nesse segmento de população favoreceria o Kadima, embora as previsões meteorológicas não parecem favorecer essa possibilidade; para amanhã está prevista chuva, o que pode espantar os eleitores.

O segundo fator é o anúncio de um acordo de última hora com o Hamas após a guerra de Gaza que inclua a liberdade do soldado Gilad Shalit, sequestrado há três anos na faixa e cuja libertação reforçaria o partido de Livni.

O atual Governo formado pelo Kadima e pelos trabalhistas se esforçou ao máximo durante a campanha eleitoral por conseguir a libertação de Shalit, mas é cada vez mais improvável consegui-lo antes do pleito, no que poderia criar também um terceiro cenário.

E é que Netanyahu advertiu que, caso vença, tentará formar um Governo de união nacional, algo sobre o que Livni não se pronunciou e, em outro caso, perpetuaria o status quo nos territórios ocupados; isto é, conduziria ao imobilismo. EFE amg/jp

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