Entre desacordos, Obama tenta convencer oposição sobre reforma

Macarena Vidal. Washington, 25 fev (EFE).- O presidente americano, Barack Obama, e os republicanos trocaram hoje ideias, muitas vezes com desacordo, na reunião convocada pela Casa Branca sobre a estagnada reforma no sistema de saúde.

EFE |

Transmitido pela televisão, o encontro teve duração de seis horas e foi realizado na Blair House, em frente à Casa Branca. Nele, Obama pediu aos legisladores presentes - 22 democratas e 20 republicanos - que se concentrassem no que se está "de acordo" e que não caíssem no "teatro político".

Apesar do pedido do presidente americano, nenhuma das partes se mostrou muito inclinada a mudar de posição, em um debate cujo resultado pode marcar um ponto de inflexão no Governo Obama.

"As diferenças fundamentais entre os presentes não podem ser evitadas", afirmou o senador republicano John Kyl, que disse ser "muito difícil" para seu partido apoiar alguns dos pontos principais da reforma.

Já Obama, que em vários momentos do encontro se mostrou tenso e visivelmente incomodado, voltou a destacar a importância do projeto.

"Todos sabemos que é algo urgente e infelizmente no ano passado se transformou em uma batalha ideológica e partidária demais, e acho que a política acabou sobrepondo o bom senso", afirmou.

Uma das discussões mais intensas da reunião aconteceu entre o ex-candidato presidencial republicano John McCain e o próprio Obama.

O presidente disse ao senador que "a campanha eleitoral já acabou" e, em resposta, McCain afirmou: "Me lembram disso todos os dias".

Durante uma interrupção para o almoço, Obama declarou à imprensa que o encontro é "interessante". "Estamos começando a nos focar no que são as verdadeiras diferenças", apontou.

Segundo Obama, os republicanos contam com "um argumento filosófico legítimo" sobre o papel do Governo na cobertura médica.

O objetivo declarado da reunião é dar um novo impulso ao processo de reforma na saúde.

Para conseguir isso, a Casa Branca espera conseguir um acordo com os republicanos ou - o mais provável, do seu ponto de vista - deixar clara a existência de uma oposição que não tem propostas alternativas.

Por sua vez, os republicanos foram ao encontro assegurando que se trataria de uma mera jogada democrata "suportada pelo bolso do contribuinte".

A reunião, na qual participam também o vice-presidente, Joseph Biden, e a secretária de Saúde, Kathleen Sebelius, tem um formato de quatro sessões, nas quais serão discutidos diferentes pontos da reforma.

Os aspectos são o controle de custos, a reforma dos seguros médicos, a ampliação da cobertura aos cerca de 30 milhões de americanos que carecem dela e o corte do déficit fiscal.

A reforma de saúde, grande prioridade legislativa do presidente, se encontra estagnada no Congresso desde que, em janeiro passado, os democratas perderam a maioria absoluta no Senado.

Para tentar dar novo impulso à iniciativa, Obama apresentou na segunda-feira passada uma nova proposta que combina os dois projetos de lei, já aprovada pelas duas câmaras do Congresso e que inclui limites ao aumento de preços cobrados pelas empresas aos clientes.

Os republicanos se opõem à medida como está prevista em ambos os projetos de lei e reivindicam ao presidente americano o início da negociação a partir do zero.

Uma das possibilidades que ganha força entre as fileiras democratas é fundir os dois projetos de lei e aprovar a versão resultante a partir de um procedimento legislativo especial conhecido como 'conciliação'.

Com esse procedimento, os democratas só precisariam de uma maioria simples no Senado (51 votos) para aprovar a medida.

A possibilidade de recorrer a esse meio especial gerou várias críticas dos republicanos. Até agora, Obama não se pronunciou.

Os Estados Unidos são o único país industrializado que não proporciona um sistema de cobertura médica para todos os habitantes em situação legal. EFE mv/rr

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