Entrada da Venezuela no Mercosul provoca divisões no Paraguai

A entrada da Venezuela no Mercosul divide opiniões entre as autoridades do Paraguai, país que ficou com a última palavra sobre a decisão, depois que o Congresso brasileiro aprovou a adesão do país presidido por Hugo Chávez ao bloco. O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Hector Lacognata, disse nesta quarta-feira, em Assunção, que o governo poderá reenviar ao Congresso Nacional, em março, o projeto sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul.

BBC Brasil |

"Quando retiramos (o projeto) do Congresso, falamos que era preciso debater, primeiro, o assunto com os senadores, para que essa questão pudesse voltar, de maneira consensual, à ordem do dia", disse.

Lacognata disse que, após o recesso parlamentar, voltará a "conversar sobre o assunto" com a Comissão de Relações Exteriores do Senado, para onde será enviado o texto do Executivo.

Segundo o chanceler, a decisão final caberá aos senadores paraguaios. Ele ressaltou que "o Congresso tem independência e autonomia" para "tomar suas decisões".

Afirmou ainda que espera que "não pressionem" o Legislativo do país para que a entrada da Venezuela no Mercosul seja aprovada.

Para que a Venezuela se torne membro efetivo do Mercosul, o protocolo de adesão deve ser aprovado por todos os países integrantes do bloco. Além do Brasil, Argentina e Uruguai também já ratificaram o ingresso da Venezuela.

Congresso

No entanto, o presidente do Congresso paraguaio, senador Miguel Carrizosa, disse, também nesta quarta-feira, que dificilmente a adesão da Venezuela será aprovada no Senado - onde são definidas as questões de relações exteriores no Paraguai.

"Que nos desculpem os irmãos venezuelanos, mas enquanto Chávez mantiver esta atitude intervencionista, não vamos aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul", disse Carrizosa.

O parlamentar pertence ao partido Pátria Querida, que tem minoria no Senado, mas neste caso recebe o apoio das principais legendas, como o Partido Colorado e a Unace.

Recentemente, o presidente Fernando Lugo retirou o texto do Congresso, diante da forte oposição aos seus projetos no Parlamento, onde não tem maioria dos votos.

Segundo assessores de Lugo, na ocasião autoridades do governo interpretaram que o "contexto não era favorável" para aquela discussão.

No governo paraguaio, a interpretação é que, além da oposição ao projeto, questões internas estão na frente na lista de prioridades dos legisladores.

Além disso, recordaram que a "aversão" dos senadores paraguaios à integração da Venezuela "vem desde a gestão anterior", do ex-presidente Nicanor Duarte Frutos.

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