Macarena Vidal. Washington, 19 jan (EFE).- O primeiro presidente negro dos Estados Unidos forma, em sua chegada à Casa Branca, o Governo mais diverso da história do país.

Barack Obama, que chegou à Presidência com uma mensagem de mudança, quis cumprir suas promessas de unidade entre os americanos acima de raças ou ideologias, com um Gabinete muito variado, mais diverso que o apresentado por Bill Clinton em 1993.

Falta preencher uma vaga, a deixada na Secretaria de Comércio pelo governador do Novo México, Bill Richardson, que retirou sua candidatura em 3 de janeiro por causa de uma investigação federal sobre atividades de seu escritório.

Mesmo com a baixa de Richardson, no Gabinete de Obama haverá pelo menos dois latinos: a congressista Hilda Solís, à frente da Secretaria do Trabalho, e o senador pelo Colorado Ken Salazar, no Interior, igualando a representação que esta comunidade já conseguiu no Governo Clinton.

O Gabinete de Obama também terá quatro negros: o secretário de Justiça, Eric Holder; a embaixadora na ONU, Susan Rice; o representante de Comércio Exterior, Ron Kirk, e a responsável pela Agência de Proteção Meio Ambiental, Lisa Jackson.

O general Eric Shinsheki, à frente da Secretaria para Assuntos dos Veteranos, e o prêmio Nobel de Física Steven Chu, responsável pela Energia, serão os dois representantes da comunidade asiática.

O novo Gabinete contará ainda com cinco mulheres: além de Jackson, Rice e Solís, a governadora do Arizona, Janet Napolitano, assumirá a Secretaria de Segurança Nacional, enquanto o Departamento de Estado ficará com Hillary Clinton.

Em suas nomeações, Obama também quis estender a mão aos republicanos, que contarão com duas pastas: junto a Ray LaHood, no Transporte, estará Robert Gates, que aceitou continuar em seu cargo à frente do Departamento de Defesa.

Os homens brancos se transformarão em minoria neste Governo, com apenas sete: junto a LaHood e Gates, aparecem Timothy Geithner, no Tesouro; Tom Vilsack, em Agricultura; Tom Daschle, na Saúde; Shaun Donovan, na Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano, e Arne Duncan, na Educação.

Em parte, a presença latina representa um reconhecimento da crescente importância desta comunidade nas urnas, e o apoio arrasador que forneceu a Obama nas eleições de 4 de novembro do ano passado.

Graças ao apoio hispânico, Obama conseguiu importantes vitórias em estados como Colorado, Nevada e Novo México, onde os republicanos tinham triunfado quatro anos antes.

Agora, essa comunidade pressiona para que a vaga deixada por Richardson seja ocupada por outro hispânico.

Segundo o porta-voz do grupo Americas Voice, Paco Fabián, na formação de seu Gabinete Obama devia "levar em conta o apoio arrasador dos diversos grupos que o levaram à Casa Branca".

A diversidade não se limita ao Gabinete. Entre os funcionários de alto escalão da Casa Branca também se encontram diversos representantes de diversas minorias.

O chefe de Gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel, negou que o objetivo do futuro governante será contentar diversos grupos eleitorais.

"A busca pela diversidade não era nossa principal motivação", disse o chefe de Gabinete. O importante, assegurou, era conseguir "uma grande equipe de gente com experiência, tanto no terreno político como no momento de tomar decisões, gente que soubesse do que está falando".

Em parte, Obama também quis forjar uma "equipe de rivais", como no caso de Hillary, antigos antagonistas que vão lhe fornecer uma maior variedade de pontos de vista.

Até o momento, o Governo proposto por Obama conta, segundo as pesquisas, com a aprovação da maioria da população. Agora será preciso saber se cumprirá as expectativas. EFE mv/mh

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