Enterros em casa são cada vez mais populares nos EUA

Paula Gil. San Francisco, 31 jul (EFE).- Para um crescente número de americanos, a perda de um ente querido já não significa uma separação física: o corpo de quem morreu permanece próximo, muitas vezes enterrado no jardim de sua própria casa.

EFE |

Os enterros ou funerais em casa se popularizaram nos Estados Unidos nos últimos anos e cada vez mais as famílias escolhem esta opção que permite velar ou sepultar seus entes queridos de uma forma mais íntima, natural, além de econômica.

Em um momento no qual milhões de americanos passam apuros para cumprir com os pagamentos de suas hipotecas, pagar os mais de US$ 6 mil que cobram em média as funerárias - e que não incluem despesas de incineração ou enterro - é um luxo que muitos não podem se dar.

Dependendo do tipo de cerimônia, caixão e outros detalhes, um enterro pode chegar a sair pela bagatela dos US$ 20 mil.

Sepultar um ente querido na própria casa pode custar poucas centenas de dólares, geralmente destinadas ao pagamento do caixão ou aos custos de cremação.

A fatura é pouco mais alta se os serviços de "diretor de funeral", como já são conhecidos nos EUA, forem contratados, mas não superam nunca os US$ 3 mil.

Este "diretor de funeral" acompanha o luto e ajuda com todos os detalhes do desconhecido e nem sempre simples processo de se enterrar um corpo. Muitas famílias optam por um cemitério tradicional, mas preferem contar com ajuda para organizar o velório na própria casa.

Com a crescente demanda e o interesse da geração do "baby boom" sobre a opção, já existem nos EUA pelo menos 45 organizações dedicadas a organizar funerais domésticos, 43 a mais que em 2007.

Uma das mais antigas é a Thresholds - Home and Family-Directed Funerals, de San Diego, que em seus seis anos de história já ajudou aproximadamente 50 famílias a sepultar ou velar seus entes queridos em casa.

Kat Alessi, da organizadora de funerais, disse à Agência Efe que a empresa oferece uma ampla gama de serviços a seus clientes, que vão desde ajudar com a preparação do corpo, facilitar trâmites burocráticos ou, simplesmente, consolar e dar apoio moral.

Segundo Kat, quanto mais apoiados se sentem as pessoas próximas ao morto, mais gostam de participar dos preparativos, algo que ajuda no processo de luto.

"Se a família quiser, nós podemos lavar e vestir o corpo, mas quando apoiamos os parentes, normalmente preferem fazer eles mesmo", disse.

Kat assegura que notou um recente crescimento na demanda de seus serviços, mas não acredita que esteja tão relacionado com a recessão econômica.

"Mais gente vê que esta opção volta a ser possível", afirma a especialista, que compara o fenômeno com o que está ocorrendo com a comida feita em casa, cada vez mais populares em algumas partes do país.

No entanto, decidir livremente onde enterrar um corpo pode se complicar no futuro devido aos impedimentos governamentais.

Atualmente, 44 estados dos EUA, além do Distrito de Columbia, dão total liberdade aos próximos para enterrar seus entes queridos.

Geralmente, as famílias só necessitam de um atestado de óbito e uma permissão das autoridades locais se vão enterrá-lo em sua propriedade.

Apoiados pela indústria funerária, alguns estados tomaram recentemente medidas para restringir a prática dos funerais domésticos. EFE pg/pd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG