Enterro de condenados à morte termina em protesto no Sudão

Cartum, 14 abr (EFE).- O funeral pelas nove pessoas que foram enforcadas ontem no Sudão por assassinar um jornalista local transformou-se hoje em uma violenta manifestação de protesto contra o Governo de Cartum, com lojas apredejadas e incendiadas.

EFE |

Segundo testemunhas informaram à Agência Efe, cerca de 3 mil pessoas, todas originárias da conflituosa região de Darfur, no oeste do Sudão, participaram do enterro dos nove executados, condenados por matarem Mohammed Taha, redator-chefe do jornal "Al Wifaq", em setembro de 2006.

Após o enterro, centenas de manifestantes começaram a jogar pedras contra carros e lojas nos arredores do cemitério Al Sahafa, no sul de Cartum.

Os participantes do protesto, que também incendiaram algumas lojas, entoaram palavras de ordem contra o Governo, contaram as testemunhas, acrescentando que a polícia dispersou a manifestação.

Taha foi sequestrado e decapitado em Cartum depois que membros da tribo Al Fur o acusaram de publicar um texto ofensivo contra eles.

No editorial publicado, o jornalista dizia que o adultério era um fato habitual nessa tribo, a principal da região de Darfur e que lhe dá nome.

A tribo considerou que o texto era um insulto para eles e o jornalista pediu desculpas, mas foi assassinado do mesmo jeito.

Os assassinos o sequestraram em frente à casa dele, o decapitaram e jogaram seu corpo sem cabeça em uma área remota da capital do país.

Após o homicídio, mais de 60 pessoas foram presas.

Além das nove que foram condenadas à morte, uma outra pegou quatro anos de prisão. EFE az/jp

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