Entenda os protestos e a crise política na Tailândia

A situação política na Tailândia voltou a ficar tensa na última semana, quando manifestantes ocuparam o gabinete do primeiro-ministro e cercaram o quartel da polícia em manifestações pela renúncia do premiê Samak Sundaravej. Aeroportos e estações ferroviárias foram fechados, mas o Exército se negou a intervir, pedindo que o premiê negocie com a oposição.

BBC Brasil |

Apesar da pressão, Samak afastou qualquer possibilidade de renunciar, em uma sessão extraordinária no Parlamento no último domingo, e rejeitou concessões aos manifestantes.

A BBC preparou uma série de perguntas e respostas que explica os principais pontos da crise:
Quem são os manifestantes?
As pessoas que protestam em Bangcoc são membros da Aliança do Povo pela Democracia (PAD, na sigla em inglês), um grupo formado por homens de negócio, pessoas leais ao rei e representantes da classe média urbana.

Eles pedem a renúncia do governo do primeiro-ministro Samak Sundaravej por acharem que ele é muito próximo do ex-premiê Thaksin Shinawatra, acusado de corrupção e abuso de poder.

Em 2006, o mesmo grupo liderou os protestos em Bongcoc que precederam o golpe militar que acabou por derrubar Thaksin.

Por que Thaksin ainda é tão importante?
O empresário bilionário continua banido da política da Tailândia e atualmente encontra-se exilado na Grã-Bretanha. Ele fugiu da Tailândia no início de agosto para evitar processos de corrupção.

Apesar do fato de que ele não se encontra mais no país, o PAD insiste em que ele continua exercendo o poder por trás do Partido do Poder Popular (PPP), que surgiu das ruínas do banido partido Thai Rak Thai para vencer as últimas eleições gerais em dezembro.

O PAD argumenta que o PPP não é nada mais que um partido testa-de-ferro para as ambições políticas de Thaksin. Muitos acreditam que ele financia o partido.

Os oposicionistas classificam o premiê Samak como um fantoche de Thaksin.

Além disso, o PAD busca legalização do papel do Exército como moderador político do país e a eleição indireta de membros do Parlamento, argumentando que a população rural não tem instrução suficiente para votar.

Por que o PAD critica tanto Thaksin?
Os primeiros-ministros tailandeses nunca duraram muito tempo no cargo ou tiveram muito poder. Mas Thaksin começou a mudar esta face da política nacional.

Suas políticas populistas atraíram enorme apoio nas áreas rurais. Ele foi o primeiro premiê a completar o mandato e seus aliados dominaram o Parlamento.

A Tailândia teve nele um novo e heterodoxo líder, e a elite se sentiu ameaçada com a grande base de apoio de Thaksin. Ele foi acusado de corrupção e nepotismo.

Alguns de seus detratores também acusaram Thaksin de ter tendências republicanas e de disputar a preferência da nação com o rei tailandês Bhumibol, de 80 anos, o que o ex-premiê rejeita.

Quem está por trás do PAD?
A sociedade tailandesa é profundamente dividida. A população rural ainda apóia fortemente Thaksin e o PPP venceu com folga as eleições do ano passado.

Muitos dos que votaram no PPP o fizeram por querer o retorno de Thaksin e suas políticas.

Thaksin, no entanto, continua muito impopular entre a elite urbana da Tailândia.

Os últimos protestos, no entanto, não estão nem próximos da magnitude daqueles que precederam o golpe de setembro de 2006. Desta vez as manifestações estão restritas a uma pequena área de Bangcoc.

Muitos dos habitantes da cidade, mesmo não apoiando a coalizão governamental, também estão cansados dos meses de instabilidade política.

Com o aumento dos preços de alimentos e combustíveis, a maioria dos tailandeses quer um governo estável.

O que deve acontecer?
Samak afirma que é um líder eleito democraticamente e por isso tem legitimidade para governar.

Ele ainda diz ser independente de Thaksin e afasta a renúncia.

Analistas afirmam que os militares estão relutantes em intervir. A tentativa dos militares de governar a Tailândia depois de setembro de 2006 não foi vista como bem sucedida e não há apetite para outro golpe.

Enquanto os protestos continuam, grande parte dos tailandeses está cada vez mais insatisfeita com a instabilidade política no país.

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