Entenda o que levou o PIB a crescer 1,3% no 3º trimestre

Depois de um início de ano difícil, em função da crise financeira global, a economia brasileira cresceu 1,3% no 3º trimestre do ano, na comparação com o trimestre anterior. Um dos destaques foi o crescimento do PIB da indústria, com 2,9%.

BBC Brasil |

Outro fator positivo foi a retomada dos investimentos: após seguidas retrações, as empresas voltaram a investir, com alta de 6,5% no período.

O resultado do PIB no trimestre, apesar de positivo, ficou abaixo do previsto pelo governo e pela maioria dos analistas de mercado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a dizer que a economia brasileira cresceria 2% no trimestre.

Segundo Mantega, suas previsões ficaram "prejudicadas" em função da revisão metodológica aplicada pelo IBGE, que alterou o PIB de trimestres anteriores.

Entenda o que influenciou o resultado do PIB no trimestre:
O que mais impulsionou o crescimento do PIB no trimestre?
O consumo das famílias, por ser o componente com maior peso no PIB brasileiro, é tradicionalmente o grande propulsor da economia brasileira. Portanto, quando o brasileiro vai às compras, as chances de o PIB crescer são grandes.

Foi o que aconteceu no 3º trimestre, com a alta de 2% no consumo das famílias. Para alguns analistas, as medidas de isenção fiscal adotadas pelo governo ainda estão contribuindo para manter as vendas aquecidas.

Se por um lado os brasileiros tiveram acesso a carros e eletrodomésticos mais baratos, as empresas também se beneficiaram com as vendas em alta. Um reflexo disso é o crescimento do PIB da indústria no 3º trimestre, com alta de 2,9%.

Por fim, outro fator positivo foi a retomada dos investimentos. Afetadas pela crise econômica, as empresas haviam interrompido seus planos de expansão no primeiro semestre. Os números divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, no entanto, mostram um crescimento de 6,5% na taxa de investimentos.

Quais foram os pontos negativos do PIB?
O setor agropecuário, apesar de seu peso pequeno no PIB (cerca de 5%), ficou mais negativo do que o esperado, com queda de 2,5% em relação ao 2º trimestre.

O economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, diz que a previsão sobre esse setor é "mais difícil", por estar sujeito a fatores climáticos.

"Apesar do peso relativo na economia, a queda do setor foi forte", diz o economista.

Parte do mercado também esperava um crescimento mais acelerado do consumo das famílias, que cresceu 2% no trimestre, em comparação ao trimestre anterior. "É um bom resultado, sem dúvida, mas poderia ter sido melhor", diz Neto.

Uma das explicações prováveis é de que as medidas de estímulo ao consumo, adotadas pelo governo desde o início do ano, podem não ter gerado efeito tão forte no 3º trimestre, como previsto.

É possível afirmar que a crise ficou para trás?
Os números do IBGE sobre o 3º trimestre, assim como diversos outros indicadores referentes a meses seguintes e que também já foram divulgados, dão a entender que o pior da crise já passou.

Um dos fatores que permite fazer essa análise é o ritmo de consumo dos brasileiros. As famílias vêm mantendo o ritmo de consumo em alta. Considerando os dados do 3º trimestre de forma anualizada, esse crescimento chega a 8%.

Alguns economistas, porém, pedem cautela. Há o risco de a crise que começou em 2008, nos Estados Unidos, te a forma de um "W", ou seja, com altos e baixos. E se a turbulência voltar, ainda que em outros países, o Brasil também pode ser afetado.

O PIB de 2009 ficará positivo?
Até a divulgação dos números nesta quinta-feira, a maioria dos analistas apostava em um crescimento de 0,2% da economia para este ano.

Agora, com o anúncio de um crescimento abaixo do esperado, alguns economistas começam a rever os dados do ano para baixo. A Concórdia Corretora já fala em queda de 0,3% do PIB este ano.

Tudo depende, é claro, do desempenho da economia nos últimos três meses do ano. O economista-chefe do Banco Schahin, por exemplo, prefere manter sua previsão de uma expansão de 0,2% da economia em 2009.

"O forte crescimento da economia no 4º trimestre deve ser suficiente para termos um PIB positivo este ano", diz.

Para 2010, a previsão do mercado é de um crescimento de 5%.

Com a economia aquecida, há perigo de a inflação aumentar?
Tanto os analistas de mercado como o governo vêm acompanhando de perto essa possibilidade. Se o consumo crescer de mais e a produção não acompanhar, os preços tendem a subir, puxando a inflação para cima.

A economista da Tendências Consultoria, Ariadne Vitoriano, diz que a inflação não deve ser um problema em 2010. "Pelos nossos cálculos, haverá uma pressão inflacionária maior apenas em 2011", diz.

No ano passado, a inflação medida pelo IPCA chegou a 5,9% - o maior nível desde 2004. Esse ano, a previsão é de que o inflação fique em 4,3%.

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