Entenda o que está em jogo na quinta Cúpula das Américas

A quinta Cúpula das Américas, que está ocorrendo em Trinidad e Tobago, reúne 34 líderes de países americanos e tem como temas oficiais a prosperidade humana, a segurança energética e a sustentabilidade ambiental. Entretanto, os principais assuntos das discussões devem ser a crise financeira internacional e Cuba - mais uma vez ausente da reunião.

BBC Brasil |


Muitos dos chefes de Estado presentes na reunião defendem que a ilha governada por Raúl Castro seja readmitida à Organização dos Estados Americanos, a OEA.

Mas os próprios cubanos deram sinais de que não estariam interessados em um confronto com o governo Obama, que tem se mostrado "aberto ao diálogo".

A BBC preparou uma série de perguntas para ajudar você a entender o que está em jogo no encontro na cúpula de Trinidad e Tobago:

O que é a Cúpula das Américas?

A Cúpula foi criada em 1994, por iniciativa do então presidente americano, Bill Clinton. O objetivo inicial era integrar toda a região em um único sistema de comércio, a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Depois de diversos impasses, principalmente entre Estados Unidos, de um lado, e o Mercosul, do outro, o assunto acabou sendo engavetado de vez no último encontro, em Mar del Plata.

O encontro em Trinidad e Tobago inaugura um novo modelo para a Cúpula, com temas variados. O resultado, segundo analistas, pode ser a "perda de foco", o que estaria já demonstrado na declaração final, considerada "ampla e genérica".

Quem participa?

Todos os países da América Latina, da América do Norte e do Caribe, com exceção de Cuba. Ao todo, são 34 países.

E por que Cuba não foi convidada?

A Cúpula das Américas segue uma série de recomendações da Organização dos Estados Americanos (OEA), instituição da qual o atual governo cubano foi desligado em 1962. Uma das regras da organização é de que seus países-membros promovam eleições democráticas e o pluralismo partidário.

No entanto, diversos países da região, entre eles o Brasil, defendem que a ilha seja reincorporada à instituição. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, classificou o fato de Cuba estar fora da OEA como uma "anomalia".

O assunto será discutido em Trinidad?

Oficialmente, o assunto não está na pauta. Mas como disse o chanceler Amorim, existe uma "agenda não escrita", que inclui Cuba e a crise financeira.

Os líderes presentes deverão tocar na questão cubana seus discursos, mas a cobrança terá tons diferentes. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quer colocar o embargo dos Estados Unidos a Cuba como o principal tema da Cúpula.

No entanto, a Cúpula das Américas não tem poderes para reintegrar Cuba ao grupo. A instância para uma decisão efetiva sobre esse assunto é a assembleia da OEA, marcada para junho.

Qual a posição brasileira sobre o tema?

Apesar de também ser contra o embargo a Cuba, o presidente Lula deverá ser menos belicoso em seu discurso. Segundo o Itamaraty, o presidente Obama "é novo no cargo" e não faz sentido criar uma situação "negativa" no encontro.

Ainda de acordo com o Itamaraty, o próprio governo cubano não teria interesse em um confronto com o governo Obama, que tem afirmado sua disposição de "dialogar".

"O presidente Lula vai a Trinidad ciente de que nem Obama, nem Cuba, estão interessados que o embargo se transforme na grande polêmica da cúpula", disse à BBC Brasil um interlocutor do presidente brasileiro.

Qual a importância dessa cúpula em Trinidad e Tobago?

A reunião acontece em meio a grandes expectativas. É o primeiro encontro do presidente americano, Barack Obama, com a maioria dos líderes presentes. De acordo com analistas, a América Latina e o Caribe tiveram pouco espaço na agenda internacional do governo George W. Bush e espera-se uma mudança de rumo com a chamada "nova diplomacia" da administração Obama.

Além disso, será também o primeiro encontro do presidente Obama com líderes de esquerda da América Latina com posições antiamericanas, entre eles Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Daniel Ortega (Nicarágua).

Existe a possibilidade de impasse, como em 2005?

Em 2005 os países discutiam um tema específico, ou seja, regras para implementação da Alca. Como não houve acordo, muitos analistas consideraram o encontro como um "fracasso".

Dessa vez, a polêmica gira em torno da questão cubana, já que a maioria dos países da região são contrários à postura americana em relação ao assunto.

Fala-se, ainda, de um possível constrangimento em função do discurso de Chávez em relação aos Estados Unidos. O líder venezuelano falou, inclusive, que "vetará" a declaração final da Cúpula, que será divulgada no domingo.

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