Entenda: medidas de Obama para restringir riscos assumidos por bancos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na quinta-feira propostas para tentar restringir os riscos assumidos pelos bancos e evitar a repetição da crise de crédito iniciada há dois anos. As propostas são consideradas as mudanças mais dramáticas já propostas desde o início da crise.

BBC Brasil |

A BBC preparou uma série de perguntas e respostas para ajudar a entender a proposta.

O que a proposta muda para os bancos?
Muitos - mas não todos - os grandes bancos atualmente combinam o negócio de cuidar do dinheiro de cidadãos comuns com um segundo negócio que envolve apostas nos mercados financeiros.

Os maiores exemplos disso nos Estados Unidos são o Citigroup, o JPMorgan Chase e o Bank of America.

Antes da crise, os bancos argumentavam que entendiam os riscos do que estavam fazendo.

O presidente Obama agora claramente crê que não se pode confiar nos bancos para administrar seus riscos, então ele quer forçá-los a parar com suas atividades de mais risco.

Obama diz que os bancos deveriam ser proibidos de fazer operações chamadas de "proprietary trading", que envolvem apostas nos mercados financeiros com o dinheiro da própria companhia, em vez de realizar uma operação a pedido de um cliente ou na qual somente o dinheiro do cliente está sob risco.

Ainda há muita incerteza sobre o quão hermética essas restrições serão.

"O diabo está no detalhe de como eles vão definir o que é 'proprietary trading'", observa Peter Hahn, ex-diretor do Citigroup e professor da Cass Business School.

Por que isso está sendo feito agora?
Esta é uma questão difícil de ser respondida, uma vez que já faz mais de um ano que o sistema financeiro parecia à beira do colapso, e alguns especialistas começaram a pedir restrições radicais.

Mas há várias possibilidades.

Uma delas é de que esta era a proposta de Obama por todo este tempo, mas que o governo estava esperando a estabilização do sistema bancário antes de modificá-lo.

Ou pode ser uma mudança repentina de política, gerada pela genuína repulsa popular contra o montante dos recentes bônus pagos aos executivos de Wall Street.

Algumas pessoas sugerem ainda que a proposta foi uma reação política à vitória Republicana na eleição para uma cadeira no Senado em Massachusetts.

Qual o lado negativo?
A maioria dos bancos estão desesperados para manter suas operações de proprietary trading, porque no curto prazo elas têm sido muito rentáveis, mesmo depois de elas terem dado tão errado na crise financeira.

Por isso, muitos acionistas podem ficar desapontados. As ações dos principais bancos do mundo caíram significativamente após o anúncio de Obama, derrubando os índices das bolsas no mundo todo.

A proposta vai prosperar?
O presidente deixou claro que está contando com o Congresso dos Estados Unidos para tornar a proposta uma realidade.

Mas seu capital político está se desgastando, e a derrota eleitoral em Massachusetts torna ainda mais difícil para os Democratas aprovarem a medida no Senado.

Os banqueiros vão pressionar os legisladores para tentar bloquear as propostas, que eles consideram um inviável retorno à era passada de restrições à sua atividade.

Por outro lado, a fúria popular contra os grandes bônus pagos aos banqueiros é tão intensa, em um momento em que a situação econômica ainda é difícil para muitos americanos, que o projeto tem uma chance de ser aprovado.

Muitos Democratas receberam doações dos bancos de Wall Street, mas temem que não serão reeleitos se forem vistos como sendo muito próximos dos bancos.

Além disso, muitos Republicados não gostam do sistema existente no qual bancos falidos tiveram que ser salvos pelo governo.

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