Entenda como serão as eleições no Líbano

Os libaneses vão às urnas neste domingo para eleger os novos representantes das 128 cadeiras do Parlamento do país. Segundo analistas, estas eleições podem ser decisivas para o futuro do Líbano e para o balanço de poder na região.

BBC Brasil |

A coalizão 14 de Março (pró-Ocidente, que reúne os principais grupos sunitas, cristãos e drusos do país), atual maioria no Parlamento, enfrentará nas urnas o grupo 8 de Março, liderado pelo Hezbollah e que é apoiado por Síria e Irã.

O bloco que conquistar a maioria das cadeiras será o responsável por formar o novo governo libanês.

Pesquisas de opinião realizadas por universidades libanesas apontam uma pequena vantagem para a coalizão 8 de Março nas eleições.

A BBC preparou uma série de perguntas e respostas sobre como serão as eleições no Líbano neste domingo.

Quais são os antecedentes?
A coalizão 14 de Março conquistou, por uma pequena margem, a maioria das cadeiras do Parlamento nas eleições de 2005.

A vitória veio em meio a uma grande insatisfação popular contra a longa influência da Síria no Líbano, provocada pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri.Os apoiadores de Hariri responsabilizaram a Síria pelo assassinato, embora o governo de Damasco tenha negado qualquer envolvimento.

Após as eleições, um longo impasse político entre a coalizão liderada pelo movimento 14 de Março e a oposição sobre a eleição de um novo presidente culminou, em maio de 2008, em conflitos violentos por todo país.

Depois de uma série de negociações infrutíferas e de episódios de violência, os dois grupos chegaram a um acordo após negociações na capital do Catar, Doha, que resultaram na formação de um governo de união nacional, com a oposição conquistando 11 dos 27 ministérios do país.

Como funciona o sistema eleitoral?
Os membros do Parlamento libanês são eleitos por meio de um sistema confessional. Por esse sistema, todos os grupos religiosos do país têm representação garantida na casa.

As 128 cadeiras do Parlamento são divididas de maneira igual entre muçulmanos e cristãos, com cada grupo ficando com 64 assentos (embora a proporção de cristãos na população tenha declinado desde que o sistema foi elaborado).

Pelo sistema, os muçulmanos sunitas têm 27 cadeiras, o mesmo número concedido aos muçulmanos xiitas. Os drusos têm direito a oito assentos e os alauítas (vertente distante dos xiitas), duas.

Entre os cristãos, 34 cadeiras são reservadas aos maronitas, 14 para os ortodoxos gregos, oito para católicos romanos, seis para devotos da Igreja Armênia, e duas para outras minorias cristãs.

Os parlamentares são eleitos para mandatos de quatro anos por 26 distritos eleitorais. Todos os libaneses acima de 21 anos têm o direito de votar, morem ou não no Líbano.

Embora os candidatos concorram contra outros de sua religião pelas cadeiras reservadas ao seu grupo em cada distrito, os eleitores podem votar em candidatos que não são de sua religião, em um sistema desenvolvido para evitar candidatos que defendam apenas os interesses de sua minoria.

O distrito eleitoral de Baabda, por exemplo, elege seis cadeiras, três para maronitas, duas para xiitas e uma para drusos (divisão que, de maneira geral, reflete a constituição confessional do distrito).

Neste distrito, todos os eleitores podem votar em seis candidatos, e os vencedores serão aqueles que conseguirem mais votos entre seu grupo confessional.

Críticos desse sistema afirmam que, no passado, ele estimulou a criação de "currais eleitorais", ou a divisão de uma zona com o objetivo de favorecer determinado partido.

Os limites dos distritos eleitorais foram alterados pelo Parlamento em setembro de 2008.

Quais são as alianças eleitorais que disputam?
A espinha dorsal da atual maioria no Parlamento, a coalizão 14 de Março, é composta majoritariamente pelo movimento sunita Futuro (Mustaqbal, em árabe), que é liderado por Saad Hariri, filho do ex-premiê assassinado Rafik Hariri.

A aliança também inclui o Partido Socialista Progressista, grupo druso liderado por Walid Jumblatt, o grupo cristão Forças Libanesas, liderado por Samir Geagea, o Partido Falangista cristão, assim como outros grupos menores.

A coalizão de oposição, conhecida como coalizão 8 de Março, é liderada pelo grupo xiita Hezbollah - apoiado pelo Irã - e o Amal, pró-Síria, e liderado pelo atual presidente do Parlamento, Nabih Birri.

Também fazem parte do bloco da oposição o cristão Movimento Patriótico Livre, liderado pelo antigo chefe do Exército, Michel Aoun, e dois partidos cristãos pró-Síria.

A eleição será livre?
Embora se espere que o processo eleitoral seja em geral justo, jornais libaneses têm feito denúncias de compra de votos pelos grandes partidos antes mesmo das eleições.

Milhões de dólares estariam sendo gastos para comprar votos ou para comprar passagens para que libaneses que morem no exterior cheguem ao país para votar.

Observadores da União Europeia, da Liga Árabe, da Fundação Carter e do governo turco acompanharão as eleições.

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