TEGUCIGALPA - Forças hondurenhas cercaram a embaixada brasileira na capital do país nesta quarta-feira, um dia após entraram em confronto com centenas de seguidores do presidente deposto Manuel Zelaya, que se refugiou na representação diplomática depois de regressar ao país para tentar voltar ao poder. Honduras vive a sua pior crise política em várias décadas desde o golpe de 28 de junho, quando militares, apoiados por parte da elite política e econômica, expulsaram Zelaya do poder e do país, acusando-o de violar a Constituição para tentar se reeleger.

O golpe foi condenado por Estados Unidos, União Europeia e América Latina, que prometeram não reconhecer o governo que seja eleito no pleito presidencial convocado para novembro.

Organizações multilaterais cortaram milhões de dólares em ajuda financeira ao país, um dos mais pobres das Américas.

Zeleya passou três meses exilado na Nicarágua, à espera de negociações diplomáticas que levassem à sua restituição, o que não ocorreu. Na segunda-feira, reapareceu em Honduras, para onde voltou de surpresa e na surdina. Para evitar que fosse preso, buscou abrigo na embaixada brasileira.

Na madrugada da terça-feira, centenas de soldados cercaram a representação brasileira e usaram gás lacrimogêneo para dispersar simpatizantes do presidente deposto, que se defenderam com pedras, numa batalha que deixou dezenas de feridos e vários detidos.

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, exigiu que o Brasil entregue Zelaya às autoridades, ou que lhe conceda asilo e o tire do país. Também responsabilizou o governo brasileiro por qualquer episódio violento que ocorra.

A seguir, alguns cenários para o desenrolar do conflito:

Zelaya continua na embaixada

Micheletti e Zelaya mantêm as posições intransigentes que levaram ao fracasso de três rodadas de negociações mediadas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

Micheletti não está disposto a permitir que Zelaya volte ao poder e complete seu mandato, que termina em janeiro; exige, além do mais, que ele se entregue à Justiça para responder a acusações de corrupção e desrespeito à Constituição.

Na segunda-feira, Micheletti disse à Reuters que Zelaya pode, se desejar, passar "cinco ou dez anos" refugiado na embaixada brasileira.

Negociações retomadas

Embora analistas achem que Zelaya não tem apoio social suficiente para pressionar Micheletti na negociação, a comunidade internacional pode ajudá-lo.

Entre as soluções apresentadas está a antecipação da eleição presidencial, sob a supervisão de organismos internacionais e sem a participação do presidente deposto, que no entanto receberia uma anistia para ser poupado da prisão.

Analistas acham que a sua volta intempestiva ao país e o refúgio na embaixada brasileira podem complicar essa possibilidade.

Invasão da embaixada

Esse cenário não é muito provável, já que Micheletti declarou que respeitará a imunidade da embaixada. Analistas, no entanto, não descartam uma invasão como último recurso para prender Zelaya.

O presidente interino já demonstrou que tem força interna, mas uma ação mais agressiva lhe acarretaria custos políticos, além de abrir a possibilidade de uma onda de violência.

Asilo no Brasil

Zelaya poderia pedir asilo ao Brasil, para onde viajaria e manteria sua campanha diplomática para voltar ao poder, com apoio internacional.

Analistas acham que esse cenário seria pouco provável, diante da decisão do presidente deposto de voltar de surpresa e clandestinamente ao seu país.

* Com Reuters

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