Entenda a crise dos reféns das Farc na Colômbia

O drama dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia voltou a chamar atenção da comunidade internacional após a posse do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em maio de 2007. Um dos pilares da política externa do líder europeu foi pressionar o presidente Alvaro Uribe e a guerrilha pela libertação dos 45 reféns políticos do grupo, entre os quais a ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, que tem cidadania francesa.

Luiz Raatz, repórter Último Segundo |

No final de agosto, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, propôs mediar as negociações com a guerrilha para a libertação dos reféns. Sarkozy apoiou a iniciativa e o venezuelano recebeu a permissão de Bogotá para negociar.

Chávez anunciou no começo de novembro que havia marcado uma reunião com as Farc para discutir a libertação dos reféns, mas no dia 22 daquele mês, Uribe encerrou a mediação do venezuelano, com o argumento de que o vizinho falava diretamente com militares colombianos sem seu conhecimento.

Uma semana depois, no dia 30 de novembro, o exército da Colômbia prendeu três guerrilheiros do grupo com vídeos e fotos e cartas de 16 reféns, entre eles de Ingrid Betancourt. Segundo o governo da Colômbia, a missão dos rebeldes era entregar o material a Chávez. Seis dias mais tarde, Sarkozy fez um apelo ao líder das Farc, Manuel Marulanda, para que ele soltasse Ingrid em um gesto humanitário.

Clara, Consuelo e Emmanuel

As Farc cederam pela primeira vez em 10 de janeiro deste ano, quando libertaram a ex-candidata à vice-presidente da Colômbia Clara Rojas  e a ex-deputada Consuelo Gonzalez. A libertação das reféns foi possível após Uribe permitir o retorno de Chávez às negociações. A operação, no entanto, esteve perto de fracassar.

Ainda em dezembro, as Farc prometeram ao presidente venezuelano soltar, junto com as duas mulheres, Emmanuel, filho de Clara com um guerrilheiro.  O governo colombiano descobriu, no entanto, que a criança estava na verdade em um orfanato de Bogotá, fato comprovado por um exame de DNA. A primeira tentativa de libertação na virada do ano falhou e foi concluída apenas em janeiro.

Em fevereiro, a guerrilha voltou a libertar reféns políticos. Os ex-parlamentares Luis Eladio Pérez, Orlando Beltrán e Gloria Polanco e o ex-senador Jorge Eduardo Gechem foram soltos no dia 27, na selva colombiana, após mais de seis anos de cativeiro.

Retrocesso

Dois dias depois, uma ação militar do exército colombiano no Equador matou Raúl Reyes, o número dois no comando da guerrilha e contato das Farc com o governo francês nas negociações para libertar os reféns, e mais 24 pessoas. A ação provocou uma crise diplomática entre os dois países.

Enquanto a Colômbia acusava o governo do presidente Rafael Correa de abrigar os rebeldes, Quito reclamava da violação territorial cometida pelo vizinho. A crise foi resolvida após uma reunião de cúpula na república Dominica. A Organização dos Estados Americanos (OEA) rechaçou a atitude colombiana.

Estado de Ingrid se agrava

Em meio à crise diplomática, notícias sobre o estado de saúde cada vez mais precário de Ingrid Betancourt acentuaram a pressão pela libertação da refém. No final de março, Uribe autorizou a troca de reféns por presos políticos, uma das reivindicações da guerrilha para soltar os reféns, ao lado da criação de uma zona desmilitarizada no interior da Colômbia, como aconteceu durante o governo do antecessor de Uribe, Andrés Pastrana.

As Farc mantêm atualmente 39 reféns políticos e cerca de 600 seqüestrados comuns. A atividade é, ao lado do tráfico de drogas, a principal fonte de receita da guerrilha, criada em 1964.

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