Ensinar uso de preservativo é desafio em cidades alagadas

Em suas visitas a comunidades isoladas pelas chuvas no Maranhão, médicos e enfermeiros do Exército distribuem além de medicamentos e cestas básicas, anticoncepcionais e preservativos. No entanto, a tarefa de ajudar essas famílias a evitar uma gravidez indesejada nem sempre é fácil.

BBC Brasil |

A dificuldade começa já na abertura da embalagem do preservativo.

"Você sabe como se abre?", perguntou o major Carlo Endrigo Bueno Nunes, coordenador da equipe médica do Exército que presta auxílio às vítimas das enchentes na cidade maranhense de Bacabal, a um morador da comunidade de Santa Rosa em visita na última semana.

"Sim", respondeu o morador, enquanto olhava confuso para a embalagem, sem conseguir abri-la.

Depois de retirar a camisinha da embalagem, o militar começou uma explicação didática e a vestiu em uma das mãos.

Durante a demonstração, foi logo cercado por outros moradores e por várias crianças, que o observavam com certo ar de admiração.

Tentativa
Ao fim de sua explicação, o major perguntou ao rapaz: "Então, vamos tentar?".

A resposta foi um olhar espantado. Depois de um momento de silêncio, o militar riu e disse: "Não agora. E, certamente, não comigo."
Com a expressão aliviada, o rapaz sorriu e disse que sim, vai tentar.

Localizada às margens do Rio Mearim, que transbordou com as chuvas, a comunidade de Santa Rosa está isolada e só é possível chegar até lá de barco.

Cinco famílias vivem na localidade, em meio a porcos, galinhas e cachorros. Não há eletricidade, ninguém no local sabe ler, e algumas das crianças não têm registro nem nome.

Questionadas sobre que método anticoncepcional usavam, todas as mulheres da comunidade deram a mesma resposta: "nenhum".

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