Enquanto espera resultados de eleições, oposição do Zimbábue forja pacto

Harare, 28 abr (EFE) - As autoridades eleitorais do Zimbábue anunciaram hoje que esta semana esperam divulgar os dados das eleições gerais realizadas há um mês, mas, por enquanto, a oposição anunciou uma aliança parlamentar sem precedentes no país. As eleições gerais ocorreram em 29 de março, mas, apesar de já serem conhecidos os resultados provisórios do pleito parlamentar, não foi divulgado um único dado sobre as presidenciais, que foram realizadas simultaneamente. Em entrevista à rádio e televisão oficial, o presidente da Comissão Eleitoral, George Chiweshe, anunciou hoje que já foi concluída a apuração de 23 circunscrições cujos dados tinham sido questionados inicialmente. Segundo Chiweshe, a partir de amanhã os candidatos presidenciais que concorreram no último pleito, ou seus representantes, serão convidados para verificar os resultados da votação. Segundo ele, o processo deve terminar em três dias.

EFE |

Os dados finais da apuração só serão anunciados após o fim deste processo de verificação, acrescentou Chiweshe.

A apuração de 23 das 207 circunscrições nas quais houve votação em 29 de março foi pedida pelo partido governante União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e pelo opositor Movimento para Mudança Democrática (MDC), mas a maioria dos recursos foi apresentada pelo grupo no poder.

A apuração não trouxe grandes novidades no que se refere à votação para formar o novo Parlamento, que será dominado pela oposição.

Embora a Comissão Eleitoral tenha dito que a apuração estava encerrada, os dados definitivos só serão anunciados a partir de amanhã, mas o informado até agora é suficiente para confirmar que o Zanu-PF perdeu a maioria que tinha no Parlamento há 28 anos.

"Para ser presidente, é preciso ter o controle do Parlamento.

(Robert Mugabe) perdeu, por isso já não pode ser presidente do Zimbábue", afirmou hoje em entrevista coletiva nos arredores de Johanesburgo o presidente do MDC, Morgan Tsvangirai.

O partido opositor tinha convocado a entrevista coletiva para informar que as duas facções dessa legenda alcançaram uma aliança parlamentar para trabalhar conjuntamente, com uma agenda comum.

"Decidimos trabalhar juntos e combinar nossas forças, por isso o Parlamento agora é controlado por nós", disse o presidente do MDC, Morgan Tsvangirai, que estava acompanhado de Arthur Mutambara, líder de uma facção dissidente do MDC.

O partido tinha se dividido por causa de eleições para designar novos senadores no fim de 2005. Os dois grupos mantinham posições irreconciliáveis e, inclusive, concorreram separadamente no pleito presidencial de 29 de março.

Mas, com as últimas eleições, as duas facções do MDC reúnem 109 deputados, frente aos 97 do Zanu-PF. No Senado, com menos funções que a Câmara Baixa, Governo e oposição repartem o mesmo número de assentos.

Nas eleições presidenciais de 29 de março, a facção de Mutambara apoiou o candidato presidencial independente e ex-ministro das Finanças Simba Makoni.

Em suas declarações aos jornalistas, Tsvangirai e Mutambara insistiram em que o acordo anunciado hoje coloca na oposição o regime de Robert Mugabe, no poder desde 1980.

"As duas formações do MDC trabalharão juntas contra o regime de Mugabe e seu partido, o Zanu-PF, que agora vai para a oposição", declarou Mutambara.

O MDC afirma que Tsvangirai venceu as eleições presidenciais com 50,3% dos votos, contra 43,8% recebidos por Mugabe, segundo dados expostos nas atas eleitorais na saída dos colégios eleitorais.

Tsvangirai e Mutambara não quiseram esclarecer se o acordo anunciado hoje significa que as duas facções decidiram se unir e a razão de não terem alcançado um pacto parecido antes das eleições presidenciais.

"As circunstâncias definem os comportamentos", disse Tsvangirai.

"O importante é que, a partir de agora, teremos um grupo parlamentar e uma mesma agenda", disse Tsvangirai.

Os dois líderes políticos afirmaram que sua aliança parlamentar está aberta a adesões, inclusive do partido do Governo. Mutambara acrescentou que dezenas de parlamentares eleitos pelo Zanu-PF já anunciaram que vão para a oposição, algo que não foi confirmado por outras fontes. EFE ag/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG