Engenheiros foram ameaçados no Peru, diz sobrinho

Familiares receberam parte do inquérito policial sobre a morte dos dois brasileiros

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Denise Motta/iG
Velório do engenheiro Mário Bittencourt, em Belo Horizonte: para a família, ele pode ter sido envenenado
Familiares do engenheiro Mário Bittencourt, encontrado morto na semana passada no norte do Peru, receberam parte do inquérito da polícia peruana referente à investigação do caso.

O sobrinho de Bittencourt, Milton Bittencourt, administrador de empresas de 33 anos, afirmou que supostas ameaças de moradores locais foram constatadas em depoimentos de um geólogo e um engenheiro peruanos que acompanhavam seu tio e um colega dele no local em que eles estudavam a viabilidade de uma hidrelétrica, região conhecida como Amazônia peruana.

Foi neste local, Pión, a 800 quilômetros de Lima, que os corpos dos engenheiros foram encontrados na quarta-feira (27). Eles estavam desaparecidos desde segunda (25).

“É clara a hipótese de envenenamento criminoso. Ele falou que não gostaria de ir para esta viagem. Ele já havia ido no Peru, mas não neste local. Recebemos um inquérito parcial do caso e as coisas começam a ficar mais claras. O documento contém fotos e depoimentos. Pelos depoimentos, o grupo de engenheiros e geólogo percebeu gritos que seriam de protesto contra a implantação da usina no local”, contou Milton Bittencourt.

Dezenas de pessoas acompanharam o enterro de Bittencourt na tarde desta terça-feira (02), no Cemitério da Colina, região Oeste de Belo Horizonte. O colega dele, Mário Guedes, também encontrado morto, foi enterrado no domingo (31) em São Paulo.

Reprodução/Google Maps
Bagua fica a 1067 quilômetros de Lima, capital do Peru
Familiares e amigos de Mário Bittencourt, presentes ao velório, acreditam na tese de assassinato. Sob anonimato, muitos deles dão como forte a hipótese de crime porque hipotermia e morte por altitude acima do normal foi descartada. “O local tinha 800 metros de altitude e a temperatura à noite era de 18 graus”, disse outro sobrinho de Bittencourt ao iG , Felipe.

A família pediu um exame de DNA e de arcada dentária no corpo do engenheiro enterrado em Belo Horizonte e o resultado deve ficar pronto em 30 dias, informou o Instituto Médico Legal (IML). Um exame toxicológico também será realizado e o prazo de conclusão é o mesmo dos exames de DNA e de arcada.

Laudo da polícia peruana apresentado pela família de Bittencourt aponta que ele e o colega morreram em decorrência de um edema pulmonar e um edema cerebral. Peritos brasileiros consideram o laudo inconclusivo, pois estes dois tipos de lesões podem ser provocadas por diversos problemas.

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