DNA dos quadros - Mundo - iG" /

Engenheiros criam empresa para identificar DNA dos quadros

Barcelona, 7 jan (EFE).- Uma equipe de engenheiros da Universidade Politécnica de Barcelona criou uma empresa especializada em identificar se uma obra de arte é verdadeira ou falsa, uma tarefa que tem demanda garantida em galerias, antiquários, museus, fundações e colecionadores.

EFE |

O objetivo é impedir que uma pessoa que recebe um "Picasso" de herança não ganhe em vez de um presente valioso uma grande dor de cabeça. Isso de fato ocorreu com uma família na Espanha, que, diante da dúvida, recorreu a uma empresa que analisou com laser o "DNA" do óleo e identificou que a obra não era autêntica.

Lutar contra as falsificações no mundo da arte ou ajudar a determinar a data em que um quadro foi pintado, desde que a obra não esteja danificada, é o trabalho desses engenheiros que formaram a empresa Actio, uma "spin off" do centro universitário.

A Actio vai atender a demanda de um setor que reivindica um método não danoso para as pinturas, que aumente as garantias de autenticidade nas transações de arte, além das opiniões subjetivas que possam ser dadas por especialistas.

Para o engenheiro, doutor e professor da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC) Sergio Ruiz Moreno, encarregado pelo desenvolvimento tecnológico da Actio, e o doutor Alejandro López Gil o "desgosto" da herança do "Picasso" é um caso paradigmático, contaram à Agência Efe.

Tratava-se de uma figura similar a de um anjo, "assinado" pelo artista e datado de 1903, que chegou ao laboratório a partir de Málaga, no sul da Espanha, cidade de origem do pintor, procedente de uma família que era proprietária do quadro desde os anos 40, o que tornava a pintura com grandes chances de ser original.

A análise fotônica por meio do laser permitiu comprovar a presença no óleo de um pigmento como o rutílio, patenteado na Alemanha várias décadas depois.

A sentença foi contundente: o quadro não pode ter sido pintado no início do século 20, apesar da assinatura e da data.

Actio, que deve entrar em atividade no início de 2010, espera conseguir clientes entre os colecionadores que queiram datar uma obra ou verificar a autenticidade de uma assinatura antes de adquirir uma pintura.

Exemplos do grande número de quadros falsos, ou identificados erroneamente, que circulam e que gera cautela e suspeitas entre os compradores estão no ensaio "A arte de falsificar a arte".

Segundo a publicação, só nos Estados Unidos foram contabilizados pelo menos 5 mil supostas pinturas a óleo de Jean-Baptiste Camille Corot, o pré-impressionista francês, a quem os analistas atribuem só 500 pinturas ao longo de toda sua vida.

"Os números dizem tudo", afirma Moreno, que ressalta que, enquanto os quadros dos museus costumam estar bem catalogados, o mesmo não ocorre com as peças de colecionadores.

As datas das obras são calculadas com base nos pigmentos.

Pelos laboratórios da UPC passaram cerca de 300 quadros, entre estes um "Tiziano", um "Tiépolo" e muitas obras de "Goya", algumas originais e outras com falsas assinaturas feitas sem pudor bem depois da morte do pintor. EFE saf/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG