Enfrentamentos entre muçulmanos e cristãos deixam centenas de mortos na Nigéria

Dois dias de enfrentamentos entre cristãos e muçulmanos deixaram segundo diversas fontes várias centenas de mortos em Jos, uma cidade do centro da Nigéria, sem que nenhum balanço oficial tenha sido publicado neste domingo, num momento em que a situação parecia estar voltando ao normal.

AFP |

Sexta e sábado, muçulmanos e cristãos se enfrentaram com violência nas ruas da capital do estado de Plateau, com cada lado reivindicando a vitória em uma eleição local realizada na quinta-feira. Igrejas, mesquitas e casas foram invadidas nesta cidade de um milhão de habitantes.

"A situação está voltando progressivamente ao normal", declarou um porta-voz do Exército em Lagos, o general de brigada Emeka Onwamaegbu, segundo o qual nenhum novo caso "de destruição ou de violência" foi registrado neste domingo.

Um funcionário da Cruz Vermelha nigeriana em Jos, que não quis ser identificado, afirmou à AFP que "muito mais de 300 pessoas foram mortas nestes dois últimos dias".

A Cruz Vermelha nigeriana também mencionou centenas de feridos e destacou que "mais de 10.000 pessoas" tentaram se esconder em igrejas, mesquitas e quartéis do Exército e da Polícia.

O imã da mesquita central da cidade, Khaled Abubakar, declarou no sábado que "quase 400 corpos" foram transportados à mesquita, onde um jornalista local afirmou ter contado 381 cadáveres.

O balanço das vítimas dos confrontos permanecia incerto neste domingo, na ausência de qualquer número oficial.

Contactado por telefone pela AFP, o porta-voz do estado de Plateau, James Manook, afirmou que ainda não tem informações sobre o número de vítimas. O porta-voz do Exército também disse não poder estabelecer um balanço, mas considerou "exagerados" os números mencionados até agora.

A cidade de Jos, no centro da Nigéria, um país dividido entre muçulmanos (nordeste) e cristãos (sul), foi palco em setembro de 2001 de violentos confrontos entre as duas comunidades que deixaram centenas de mortos.

A normalização progressiva da situação na manhã deste domingo foi confirmada por um dignitário muçulmano. "O Exército tomou o controle na capital, mas a situação ainda pode piorar na periferia", avisou Adamu Tsoho.

Segundo ele, 351 vítimas muçulmanas foram enterradas neste domingo depois de orações na mesquita central. Outros 30 corpos foram recuperados por suas famílias na noite de sábado, acrescentou Tsoho.

De acordo com um porta-voz da polícia, os enfrentamentos começaram na sexta-feira depois da propagação de rumores segundo os quais o Partido de Todos os Povos Nigerianos (ANPP) fora derrotado nas urnas pelo Partido Democrático do Povo (PDP, no poder em Lagos). O ANPP é tradicionalmente considerado como um movimento de maioria muçulmana, e o PDP como um partido de maioria cristã.

Sábado, o governador do estado de Plateau, Jonah Jang, ordenou um toque de recolher de 24 horas em quatro bairros de Jos e ordenou ao Exército atirar contra qualquer pessoa que não respeitasse a medida.

As autoridades anunciaram 1.500 detenções.

abu/yw

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