Enfrentamentos em duas cidades rebeldes da Bolívia deixam vários feridos

Confrontos entre grupos civis de oposição e forças do Exército e da Polícia deixaram vários feridos nesta terça-feira nas cidades bolivianas de Santa Cruz e Tarija, informaram fontes locais.

AFP |

Os enfrentamentos em Santa Cruz (900 km a leste de La Paz) e em Tarija (950 ao sul da capital) começaram quando grupos de jovens universitários tentaram invadir prédios governamentais, segundo informações da Polícia e de canais privados de TV, que mostraram imagens dos incidentes.

"Fomos atacados com dinamite, e dois policiais estão feridos", declarou o coronel Reynaldo Iturri, comandande da Polícia de Tarija, citado pelo canal de televisão privado PAT.

Também em Tarija, grupos de jovens tentaram, sem sucesso, invadir um escritório do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA).

Em Santa Cruz, a capital da região mais rica da Bolívia, dois prédios governamentais foram invadidos pelos manifestantes, que conseguiram expulsar os militares após um confronto de cerca de seis horas.

A situação na noite desta terça-feira parecia estar voltando ao normal em Santa Cruz, mas permanecia confusa em Tarija.

Os incidentes acontecem em meio a uma grave crise política na Bolívia. Os departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca rejeitam a nova Constituição, defendida pelo presidente Evo Morales, e exigem que o governo devolva às províncias cerca de 166 milhões em royalties do petróleo e gás relocados para a previdência social.

O governo afirma que "há uma escalada da violência", promovida por líderes cívicos de direita, que beira "a ilegalidade".

"Está-se promovendo a tomada de gabinetes públicos, e a Polícia e as Forças Armadas estão cumprindo seu papel constitucional", justificou o vice-ministro de Governo (Interior), Rubén Gamarra, em entrevista coletiva.

Pelos incidentes em Santa Cruz, as autoridades responsabilizaram o governador da região, Rubén Costas, cabeça visível da oposição, e o líder civil e empresário Branko Marinkovic, "por promoverem (com seus discursos) a violência".

Já Marinkovic culpou o novo gabinete, empossado na segunda-feira por Morales, o qual acusou, sem dar provas, de receber "instruções da Venezuela" para aplacar os protestos da oposição.

jac/yw/ap/LR

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