O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, terá nesta segunda-feira em Washington um encontro com o presidente americano Barack Obama considerado crucial em Israel, onde o líder de governo enfrenta um enfraquecimento político significativo junto à opinião publica.


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Apenas um mês e meio depois da troca de governo em Israel, pesquisas indicam que somente 25% dos israelenses consideram Netanyahu melhor do que seu antecessor, Ehud Olmert, que no fim de sua gestão foi visto como o primeiro-ministro mais impopular da história de Israel.

Para um terço da população, Olmert foi "melhor" e para outros 33%, "os dois são a mesma coisa".

Impostos

O desempenho do novo premiê de Israel na questão do novo orçamento do governo foi muito criticado, depois que Netanyahu mudou diversas vezes de posição e cedeu às pressões de seus parceiros da coalizão governamental.

Netanyahu, que durante a campanha eleitoral havia prometido diminuir impostos, acabou fazendo o contrário. Ele foi particularmente criticado por impor taxas sobre e frutas e verduras, atingindo principalmente os setores mais pobres da população.

O premiê, que também havia dito que não iria ampliar os limites do orçamento, acabou expandindo-o em 3%, levando a imprensa a chamá-lo de "suscetível" e "sem coluna vertebral".

Nestas circunstâncias, Binyamin Netanyahu viaja a Washington para o encontro mais importante desde que foi eleito, com o presidente americano Barack Obama.

Irã e Palestina

Os principais temas da reunião de Obama com Netanyahu devem ser o projeto nuclear iraniano e o conflito entre israelenses e palestinos.

Desde a eleição de Obama, houve divergências sem precedentes entre as posições de Israel e dos Estados Unidos. Segundo jornalistas israelenses que acompanham a visita de Netanyahu, "há uma grande tensão na delegação".

Desde que assumiu o cargo, Netanyahu não disse claramente se aceita ou rejeita o princípio tido como básico do processo de paz com os palestinos, que é a solução de dois Estados.

Já Obama reiterou diversas vezes que a "criação de um Estado Palestino ao lado de Israel, de acordo com a Conferência de Annapolis, é a única solução".

O novo ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigor Liberman, declarou que "as decisões de Annapolis não têm validade para Israel" e propôs a busca de "soluções novas e criativas" para o conflito.

Outro tema que deverá ser abordado é o compromisso - não cumprido por Israel - de congelar a construção de assentamentos na Cisjordânia e desmontar assentamentos ilegais.

Os parceiros de direita da coalizão de Netanyahu já anunciaram que o premiê deve dizer "não" a Obama.

Um dos líderes do partido Bait Yehudi (Lar Judaico), Uri Orbach, disse nesta segunda-feira à radio estatal israelense que o partido "não entrou no governo para construir um Estado Palestino, mas sim para fortalecer o Estado de Israel".

Um dos líderes mais importantes do partido de Netanyahu, o Likud, o presidente do Parlamento, Reuven Rivlin, afirmou que "a criação de dois Estados representa um risco à existência de Israel".

De acordo com analistas locais, Netanyahu deverá tentar convencer Obama de que, em vista do projeto nuclear iraniano, a ordem de prioridades na região deve ser alterada.

Segundo Uzi Arad, que integra a delegação de Netanyahu em Washington e é o principal assessor do premiê para assuntos de Segurança Nacional, "o tema mais urgente é o perigo de que em breve o Irã possa ter uma bomba atômica e constituir uma ameaça existencial a Israel". A posição de Netanyahu é de que "antes" do problema palestino, a questão iraniana deve ser solucionada.

O ministro da Defesa, Ehud Barak, propôs que os Estados Unidos estabeleçam um prazo para o diálogo com o Irã. Esse prazo também deverá fazer parte da pauta da reunião de Netanyahu com Obama.

Palestinos

A Autoridade Palestina tem grandes expectativas do encontro dos dois líderes. De acordo com o ministro palestino Ashraf El Ajami, "a Autoridade Palestina espera que o presidente Obama diga claramente a Netanyahu que é necessário continuar o processo de paz do ponto onde chegamos com o governo israelense anterior e não começar tudo de novo, da estaca zero".

"Se Netanyahu não concorda com o princípio de dois Estados, que o mundo inteiro aceita, voltaremos à estaca zero", disse o ministro palestino.

Já o porta-voz do Hamas, Razi Hamed, anunciou que a organização não tem expectativas do encontro do premiê israelense com o presidente americano.

"Netanyahu quer continuar a colonização dos territórios palestinos e a construção do Muro e não tem intenções de realizar negociações serias com os palestinos. Seu encontro com Obama não vai mudar esse quadro", afirmou Hamed.

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