Energia se transforma em pedra fundamental da Unasul

Omar Lugo Rio de Janeiro, 22 mai (EFE).- A Energia é a pedra fundamental da União Sul-Americana de Nações (Unasul), e um novo desafio para países que ainda arrastam uma série de impedimentos em seu caminho integrador.

EFE |

O petróleo, o gás natural, a eletricidade e os biocombustíveis são as novas e ambiciosas fronteiras deste embrionário processo na América do Sul.

Juntos, estes novos Estados-membros reúnem um dos maiores potenciais de energia do mundo, com fontes bem diversificadas em hidrocarbonetos, além da hidreletricidade e de combustíveis alternativos como o etanol, no Brasil.

Mas, por enquanto, há apenas um emaranhado de acordos multilaterais e bilaterais de cooperação, associações estratégicas, ou simples manifestações de boa vontade que em alguns casos se arrastam desde os anos 90.

Em cada cúpula presidencial ou visita de Estado de presidentes a seus vizinhos costumam se somar novos propósitos a essa lista de tarefas pendentes.

A maior parte destes acordos desagregados foi firmada no marco da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), do Mercosul e da Comunidade Andina (CAN), estruturas prévias que devem servir como ponto de partida para a Unasul.

Pelo menos no papel, a Unasul identificará no futuro atividades, projetos e obras; aumentará a troca comercial de hidrocarbonetos; a interconexão de redes de eletricidade, de gasodutos e oleodutos; a produção e prospecção de petróleo e gás e o desenvolvimento de fontes renováveis e energias alternativas.

A Organização Latino-Americana de Energia (Olade) destacou que a América Latina e o Caribe são auto-suficientes em recursos energéticos, mas que estão distribuídos de forma desigual.

A Olade é a responsável por coordenar o Conselho Energético da América do Sul (CES), que foi anunciado na Cúpula Sul-Americana de Energia, em abril de 2007, na Venezuela.

Esse Conselho se apresenta como uma "instância de planejamento conjunto regional", que deve ser referendado em Brasília como uma maneira de avançar na integração física e energética e para unificar as iniciativas do Mercosul e da CAN.

Este tipo de integração permitiria atender de maneira mais rápida uma demanda que, no caso da eletricidade, crescerá 73% até 2018, segundo a Olade.

Também melhoraria o balanço de cada país, graças à troca de excedentes; expandiria mercados; diversificaria as fontes; complementaria economias e recursos e diminuiria a vulnerabilidade diante de secas, turbulências no mercado e altas dos hidrocarbonetos.

No entanto, ainda há muito a ser feito. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a necessidade de investimentos da América Latina nesta área é "extremamente elevada", de US$ 1,38 trilhão, incluindo US$ 720 bilhões somente em eletricidade.

Hoje, as conexões entre os países cobrem apenas 5,0% da demanda elétrica do Mercosul, e 3,0% da região andina, segundo a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Somente na Comunidade Andina, uma maior integração elétrica permitirá economizar cerca de US$ 310 milhões por ano em custos operacionais, e no Mercosul a redução de gastos seria de US$ 160 milhões.

Alguns Governos já deram passos concretos no mundo dos negócios, especialmente o Brasil, sedento por energia e com fronteiras com todos os países da Unasul, com exceção ao Chile e ao Equador.

O Brasil mantém projetos bilaterais de energia com quase todos os seus vizinhos, o que lhe transforma em uma espécie de encruzilhada e motor de uma integração em escala regional da qual foi pioneiro.

De um acordo de integração com o Paraguai - para construir a represa de Itaipu - o Brasil obtém 20% da eletricidade que consome.

De outro acordo com a Bolívia - para construir um gasoduto bilateral - importa 60% do gás natural que seu mercado interno necessita. EFE ol/mh

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