Ana Gerez Rio de Janeiro, 13 jun (EFE) - A Endesa recebeu o prêmio de Responsabilidade Social Corporativa concedido pela primeira vez pela Câmara Espanhola de Comércio no Brasil por um projeto envolvendo reciclagem de lixo. A empresa foi premiada por uma iniciativa que consiste em converter lixo em energia, proposta feita pela companhia elétrica a seus clientes, muitos deles pertencentes a famílias de baixa renda que deixaram a lista de inadimplentes e, agora, contribuem para a preservação do meio ambiente. O projeto, batizado de Ecoelce, foi desenvolvido pela Coelce, a distribuidora da Endesa Brasil no Ceará, e se baseia em uma fórmula simples, mas aplicada de forma sistemática, informatizada e em colaboração com outros aliados, como as fábricas de reciclagem, explica Vinícius de Lima Cunha, coordenador do projeto. Os clientes da empresa elétrica levam lixo reciclável a centros de coleta, onde é pesado e taxado em função de sua cotação de mercado: um quilo de papel de jornal vale cerca de R$ 0,08, um quilo de garrafas de cerveja, R$ 0,40, o de vinho, R$ 0,15, e o de plástico transparente, R$ 0,35. O dinheiro acumulado por cada cliente é deduzido de sua conta de luz. Os valores podem parecer insignificantes, mas, para famílias com baixa renda, como as que vivem em Lagoa Redonda, em Fortaleza, esse abatimento acaba fazendo a diferença. Há pessoas que estão há meses sem pagar conta de luz, explicou à Agência Efe Haroldo Pio de Oliveira, u...

O mais complicado desta iniciativa era implementá-la e fazer isso de modo que beneficiasse todos os envolvidos: os consumidores, a empresa distribuidora, as fábricas de reciclagem e o meio ambiente.

Para isso, a companhia fez convênios com empresas que reciclam resíduos sólidos, desenvolveu um programa de gestão informático especial, instalou centros de coleta e buscou a colaboração de associações de moradores e instituições comunitárias.

Para se cadastrar, basta apresentar uma conta e receber um cartão com "chip" eletrônico.

Cada cliente é responsável por separar os materiais: papel de jornal, garrafas, artigos em vidro, metais (aço, ferro, cobre, etc), latas, plásticos e até óleo de cozinha.

O projeto-piloto de seis meses teve tal sucesso que começou a se expandir aos três, comenta Odailton Arruda, chefe do departamento de Inovação e Pesquisa.

Atualmente, há 43 mil clientes cadastrados, a maioria deles de famílias pobres, e 45 pontos de coleta, número que aumentará para 60 até o final do ano.

Com o programa, a Coelce reduziu em mais de 57% a inadimplência de seus clientes, ao mesmo tempo em que incentiva a preservação do meio ambiente.

Desde janeiro de 2007 foram coletadas 2.310 toneladas de lixo (663 toneladas de metal, 921 de papel, 372 de plásticos e 354 de vidro) que representaram uma economia total para os clientes de mais de R$ 320 mil, segundo Arruda, que disse que agora também participam famílias de renda média.

Ao mesmo tempo, os materiais coletados evitaram o consumo de 755 toneladas de minério de ferro, 36.800 árvores, 3,71 toneladas de petróleo e 353 toneladas de vidro novo, segundo cálculos do programa.

Pessoas jurídicas, como restaurantes e hotéis, podem participar da iniciativa, e doar o crédito obtido com a venda de resíduos a organizações com fins não lucrativos.

O projeto se estendeu a diferentes áreas metropolitanas e ao interior do estado, e concessionárias de outros estados, como as de Pernambuco e São Paulo, se interessaram por ele. EFE ag/db

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