Encontro entre presidente de Taiwan e enviado chinês conclui visita histórica

Taipé, 6 nov (EFE).- O histórico encontro entre o presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, e o principal negociador chinês a visitar a ilha, Chen Yunlin, concluiu hoje a viagem do enviado do Governo da China, marcada pelos fortes protestos independentistas.

EFE |

Ma expressou a Chen, presidente da Associação para as Relações entre os Dois Lados do Estreito de Taiwan (Arats, em inglês), seu desejo de elevar o nível dos encontros e de conseguir com a China maior espaço internacional para a ilha.

"Espero que ambas as partes reconheçam a realidade política, sem se negarem mutuamente, e que ampliem a cooperação sobre a base da paz e do bem-estar dos povos", declarou o presidente de Taiwan, enquanto protestos independentistas tomavam conta das ruas de Taipé.

Ma também reconheceu a "grande importância dos acordos" selados por Chen e pelo presidente da Fundação para o Intercâmbio no Estreito (SEF, em inglês), Chiang Pin-kung, o que acaba com muitas restrições de contatos diretos em vigor desde 1949.

"As empresas taiuanesas, especialmente as que contam com investimentos na China, economizarão centenas de milhões de dólares com a assinatura de acordos de transporte aéreo e marítimo de carga", destaca a economista taiuanesa Cristina Cheng.

A oposição não se mostra tão positiva e acusa Ma de "vender a soberania taiuanesa por dinheiro" e teme que a aproximação econômica leve à união política e ao "fim da democracia", segundo o presidente do Partido Democrático Progressista (MCT), Tsai Ing-wen.

Ma tenta conseguir vantagens econômicas e financeiras junto à China, mas sem concessões na questão da soberania, para não desencadear a ira da oposição, que tem o apoio de mais de um terço do eleitorado.

Como era esperado, Ma não conseguiu que Chen o chamasse de presidente, como desejava a oposição independentista, e o enviado chinês evitou o uso de títulos ao entregar um presente ao líder com escassez de palavras.

Ma recebeu Chen na qualidade de presidente da República da China (nome oficial de Taiwan) e reiterou seu compromisso com a aproximação econômica e civil da República Popular da China (nome oficial da China continental), por meio de negociações pragmáticas e pacíficas, deixando temporariamente de lado o espinhoso assunto da soberania.

O presidente de Taiwan disse à imprensa que a negociação não representa menosprezo nem à soberania nem à dignidade nacional.

"A República da China é um país soberano e independente, e seus 23 milhões de cidadãos têm direito a decidir seu destino", declarou Ma para apaziguar a oposição.

"Não se negociou a soberania, nem a soberania e a dignidade nacional foram diminuídas", declarou Ma, que prometeu em sua posse que durante seu mandato não haveria declaração formal de independência ou negociações para a unificação, mas se manteria a atual situação de independência de fato.

O encontro foi realizado em um horário diferente do previsto anteriormente, por causa dos protestos do MCT, e foi cercado por um forte esquema de segurança.

Durante a visita de Chen à ilha, além dos acordos de liberalização dos laços postais e dos transportes marítimo e aéreo e a criação de um mecanismo de segurança alimentar, foi acertado o reforço da cooperação financeira perante a crise mundial.

O chefe do Parlamento de Taiwan, Wang Jin-pyng, pediu a Chen que a China retire os mísseis apontados para a ilha e conceda maior espaço internacional, solicitação à qual o enviado chinês respondeu que o mais urgente é cumprir as negociações econômicas.

A visita de Chen foi possível pela chegada de Ma ao poder, que após abandonar o independentismo radical de seu antecessor, Chen Shui-bian, adotou uma política de aproximação econômica e civil com a China, deixando de lado as questões políticas.

Taiwan e China são governadas separadamente desde o fim de um conflito civil, em 1949, mas Pequim considera a ilha parte de seu território, e Taiwan se considera um Estado soberano herdeiro da República da China, fundada no continente em 1911. EFE flp/wr/fal

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