Saud Abu Ramadã Gaza, 14 fev (EFE).- Representantes das 13 facções palestinas, inclusive os grupos Fatah e Hamas, se reuniram hoje na Cidade de Gaza pela primeira vez desde 2007 para articular a assinatura da proposta egípcia de reconciliação entre os palestinos.

Pouco foi divulgado sobre o encontro. Ele é de grande importância mais por ser o primeiro em mais de dois anos e meio a incluir todos os grupos palestinos do que por seus resultados concretos para destravar a longa divisão entre os dois grupos majoritários, Fatah e Hamas.

A reunião ocorreu pela tarde na sede da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) sob iniciativa de Yasser al-Wadiya, presidente do Fórum Palestino Independente (que impulsiona a reconciliação) e de grupos de esquerda.

Antes do encontro, al-Wadiya ressaltou que "o Egito prometeu levar em consideração as observações de todas as facções assim que o documento for assinado e implementado".

O chefe do Governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, ressaltou em comunicado que não há alternativa para a mediação egípcia e pediu uma solução à crise entre os palestinos antes da cúpula da Liga Árabe em Trípoli nos próximos dias 27 e 28 de março.

Este evento se transformou no enésimo prazo para concluir o diálogo palestino, que se encontra em ponto morto desde que em outubro passado o Hamas se negou a assinar a proposta egípcia de reconciliação ao considerar que alguns pontos não foram suficientemente discutidos.

O acordo, assinado pelo Fatah, estabelece a realização de eleições presidenciais e legislativas no próximo mês de junho e sugere que 75 % das cadeiras do Parlamento sejam escolhidas proporcionalmente e o resto por circunscrições.

Na quinta-feira passada, em reunião com a imprensa local, um dos principais dirigentes do Hamas, Khalil al-Khaya, insistiu que as objeções do Hamas ao documento egípcio são "razoáveis" e por isso devem ser levadas em conta.

O movimento islamita quer que o texto especifique que o comitê especial que observaria o pleito seja integrado por todas as facções e que inclua a reforma da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

"Queremos imunizar o acordo para que ele seja aplicável. Se nossas observações não forem consideradas, existe o risco de que a situação perca novamente o rumo. Há esperança de que se consiga muito em breve um acordo para assinar o documento egípcio", argumentou.

O dirigente do Fatah Nabil Shaath, por sua vez, disse no Cairo que se o Hamas assinar o texto antes da cúpula da Liga Árabe, essa reunião buscará o apoio à causa palestina, em vez de se limitar a discutir como conseguir a reconciliação.

Dias antes, Shaath tinha se transformado no primeiro dirigente de seu grupo, fundado por Yasser Arafat, a se reunir tête-à-tête em Gaza com um líder do Hamas (Haniyeh) pela primeira vez desde que em junho de 2007 o Hamas expulsou da Faixa de Gaza as forças leais ao presidente palestino e líder do Fatah, Mahmoud Abbas.

Esse momento marcou o apogeu de uma divisão que deixou a Cisjordânia nas mãos da ANP, sob governo do partido de Abbas, e a Faixa de Gaza sob controle do Hamas.

Na manhã de hoje, em declarações à rádio "A Voz da Palestina", o secretário-geral do Comitê Executivo da OLP e assessor de Abbas, Yasser Abed Rabbo, havia dito que "o Hamas não está interessado na reconciliação e segue sua rígida posição de sempre".

No entanto, um dos principais líderes em Gaza da Jihad Islâmica, Nafez Azzam, falou do encontro como uma esperança de volta à normalidade para que as facções enfrentem unidas a ocupação israelense.

"É um sinal positivo que as facções possam se sentar, discutir e concordar em ir ao Cairo o mais rápido possível para assinar o pacto de reconciliação", afirmou Azzam. EFE sar/sa

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