Encontro com Carla Bruni marca últimas horas de visita do dalai lama à França

Paris, 22 ago (EFE).- Um encontro com a primeira-dama francesa, Carla Bruni, e com os titulares de Exteriores, Bernard Kouchner, e de Direitos Humanos, Rama Yade, marcou as últimas horas da polêmica visita do dalai lama à França, acompanhada com grande atenção pela China.

EFE |

"A China só poderá conseguir a respeitabilidade na comunidade internacional e ser aceita por esta se caminhar rumo à democracia e tiver autoridade moral", disse o líder espiritual do Tibete, segundo declarações à imprensa do monge budista Matthieu Ricard.

"É a única boa solução para a China e para o Tibete", acrescentou o monge.

Matthieu assinalou que "sua santidade" se mostrou preocupada com a grave situação no Tibete, e com a repressão "extremamente brutal" da China, "em contraste" com os Jogos Olímpicos de Pequim.

Kouchner se limitou a dizer que o dalai lama é "sempre bem-vindo na França", após a reunião realizada depois da inauguração do templo budista de Lerab Ling na região de Roqueredonde diante de aproximadamente duas mil pessoas, incluindo a esposa do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Carla Bruni recebeu o líder espiritual do Tibete diante do templo, e usava no pescoço o tradicional cachecol branco tibetano de boas-vindas. Kouchner e Yade também usavam o cachecol.

O encontro foi o único contato do dalai lama com membros do Governo na sua visita de duas semanas à França, que terminará amanhã, no momento em que o país tenta melhorar as relações com Pequim, após a caótica passagem da chama olímpica por Paris e das críticas de Sarkozy à China pelo tratamento dado ao Tibete.

As autoridades chinesas, que em julho advertiram que haveria "graves conseqüências" para as relações bilaterais caso Sarkozy tivesse se reunido com o líder espiritual tibetano, aconselharam esta semana o presidente a "manejar com prudência o tema sensível do Tibete".

Pouco antes de Sarkozy ir à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, o Palácio do Eliseu havia anunciado que o presidente não receberia o dalai lama, mas que sua esposa assistiria à inauguração do templo de Roqueredonde.

Segundo a Presidência francesa, o dalai lama não pedira para se reunir com Sarkozy por considerar que não era momento oportuno, por coincidir com os Jogos Olímpicos.

O dalai lama, que se descreve como "semi-aposentado", disse hoje a Kouchner, segundo o monge Ricard, que o Parlamento tibetano no exílio se reunirá no próximo mês, e discutirá "novas opções para apresentar ao Governo chinês".

O Parlamento debaterá sobre se é preciso "esclarecer certos pontos" para apresentar a Pequim em reunião que poderá acontecer em outubro, entre representantes do dalai lama e do Governo chinês, acrescentou.

Para o líder espiritual, o Parlamento deve decidir de forma "democrática" o futuro do Tibete e "os períodos práticos que poderiam acontecer" nesse sentido.

Segundo o monge, o líder espiritual tibetano disse que "seu combate e o de seu povo" não são "contra a China, mas pela justiça, pois a situação de um povo oprimido por uma nação muito poderosa é moralmente inaceitável".

Sobre esse aspecto, segue admirando "a forma como a França, desde os trágicos eventos de março (a sangrenta repressão pela China das manifestações no Tibete), tentou apoiar o combate".

"E esperamos que possa continuar", acrescentou.

Em declarações dadas nesta quinta ao jornal "Le Monde", o dalai lama denunciou que, desde o começo dos distúrbios, em 10 de março, 400 pessoas morreram por disparos "somente na região de Lhasa", e que na segunda-feira passada o Exército chinês voltou a disparar contra pessoas no leste do Tibete.

O dalai lama, que defende uma "verdadeira autonomia, não uma autonomia à chinesa" para o território, disse que o diálogo com Pequim não deu nenhum resultado até o momento.

O líder espiritual se mostrou esperançoso de que, após o término dos Jogos Olímpicos, Sarkozy, como presidente temporário da União Européia (UE), faça "propostas construtivas" ao Governo chinês sobre o Tibete. EFE al/fh/gs

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