Enchentes na Austrália levam 200 mil a abandonar casas

Nível de água no nordeste australiano prejudicou minas de carvão e produção de açúcar do país

Reuters |

O nível das águas que cobrem uma área imensa do nordeste da Austrália subiu na sexta-feira, inundando 22 cidades e obrigando 200 mil moradores a abandonar suas casas, além de fechar um importante porto de exportação de açúcar.

As enchentes já fecharam minas de carvão no Estado de Queensland e o maior porto de exportação de carvão do Estado, obrigando mineradoras como Anglo American e Rio Tinto a suspender ou reduzir suas operações. As piores inundações em 50 anos foram provocadas pelo fenômeno climático La Niña, que esfria as águas do Pacífico leste e, nos últimos 15 dias, vem gerando chuvas torrenciais sobre o nordeste da Austrália.

AFP
Foto aérea mostra região de Queensland sob a água, na Austrália
Incêndio

Enquanto isso, nos Estados de Victoria e Austrália do Sul, a temperatura alta e a seca extrema vêm causando incêndios florestais.

As autoridades avisaram sobre a possibilidade de incêndios "catastróficos" se as condições se agravarem, e foi recomendado às pessoas que passam férias na região que preparem planos para deixar a área. "Pedimos que as pessoas tenham um plano, que saibam como vão chegar aos lugares onde vão - um plano para deixar a região se houver ameaça de incêndio", disse Andrew Lawson, chefe do corpo de bombeiros rurais da Austrália do Sul.

Beneficiados por uma leve queda na temperatura, os bombeiros contiveram incêndios pequenos na noite de sexta-feira, mas meteorologistas disseram que nos próximos dias a temperatura pode voltar a ultrapassar os 40 graus Celsius.

Em Queensland, as autoridades avisaram sobre riscos crescentes à saúde em função das águas das enchentes, além do perigo de crocodilos e cobras invadirem casas inundadas. "O desastre está longe de acabar," disse a jornalistas a premiê estadual de Queensland, Anna Bligh. "Temos 22 cidades menores e maiores que estão substancialmente inundadas ou isoladas. Isso representa 200 mil pessoas em uma área maior que a França e a Alemanha juntas.

A primeira-ministra Julia Gillard visitou a cidade açucareira de Bundaberg, que na sexta-feira fechou seu porto depois de destroços de inundações terem invadido canais de navegação e danificado bóias de aviso. "É um desastre natural que atinge todo Queensland", disse Gillard, anunciando uma contribuição de 1 milhão de dólares australianos (US$ 1 milhão) ao montante obtido com uma campanha de ajuda aos flagelados pelas enchentes, que já arrecadou 6 milhões de dólares australianos.

O fechamento de Bundaberg prejudicou as exportações de açúcar da Austrália, um dos maiores exportadores mundiais do produto. Quatrocentos mil toneladas de açúcar saem do porto todos os anos, e três embarcações de 30 mil toneladas estão previstas para chegar nos próximos dias.

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