Enchentes estão perto de seu pico nos EUA; diques ameaçam ceder

Por Nick Carey HANNIBAL, EUA (Reuters) - Voluntários trabalhavam na sexta-feira para reforçar diques pressionados pelas maiores enchentes dos últimos 15 anos a atingir o Meio-Oeste dos EUA, enquanto o rio Mississippi aproximava-se de, no fim de semana, chegar a seu pico após ter provocado grandes perdas na região.

Reuters |

'Esse é um rio bonito, mas de uma hora para outra pode se transformar em um rio muito cruel e horrível', disse John Hark, diretor de gerenciamento de emergências da cidade de Hannibal e do condado Marion (Missouri).

'Até que esse rio volte a suas margens, não podemos dar-lhe nenhuma chance.'

Hannibal, lar do famoso autor norte-americano Mark Twain, é protegida por um dique de terra e um muro antienchente. A cidade não estaria sob perigo. Mas em St. Louis (também no Missouri) o rio só deve atingir seu nível máximo, segundo previsões, no domingo.

Ao norte de Hannibal, Butch Harlan e seu filho Derrick cuidavam de uma estação de bombeamento e vigiavam o dique de terra do distrito Fabius Drainage, de olho nos 'furúnculos' --buracos onde a água, sob pressão dos diques, surgia através do solo.

'Temos de acabar com os furúnculos senão eles vão enfraquecer o dique e o rio acabará passando', disse Butch. 'O maior problema não é a água vinda por cima do dique, mas a que vem por baixo.'

A chuva deu uma trégua na região e permitiu que os rios e riachos baixassem um pouco em Iowa, Illinois, Wisconsin e Indiana, revelando a dimensão dos danos multibilionários deixados pelas enchentes.

Prevê-se a ocorrência de algumas tempestades isoladas, mas nada semelhante às enxurradas que despejaram 30 centímetros de água em certos pontos do Meio-Oeste, neste mês.

Milhares de hectares de terras férteis localizados no coração do maior exportador de grãos do mundo ficaram inundados. Os preços do milho diminuíram um pouco na quinta-feira, dia de realizar lucros. Mas haviam atingido um recorde de alta nesta semana. E, no mesmo dia, o preço da carne de vaca e de porco nos EUA ultrapassou uma nova marca.

O custo das enchentes no cinturão do milho dos EUA deve ser sentido pelos consumidores do mundo todo na forma de preços mais altos dos alimentos e nos prejuízos a serem ainda contabilizados.

Pontes e estradas foram destruídas, fábricas, fechadas, instalações de água e de energia, danificadas, e o faturamento de estradas de ferro, fazendeiros e vários outros negócios, interrompido.

O presidente norte-americano, George W. Bush, visitou cidades alagadas de Iowa na quinta-feira, dia em que seu governo prometeu enviar à região dinheiro de um fundo de emergência.

'Sei que vários fazendeiros e criadores de gado estão ansiosos neste momento', afirmou Bush no centro de emergência de Cedar Rapids (Iowa), uma das cidades mais atingidas pelas enchentes.

David Paulison, chefe da Agência Federal de Administração de Emergências (Fema), disse que os 4 bilhões de dólares existentes atualmente no fundo para desastres da entidade deveriam 'ser mais do que suficientes' para prover a ajuda do governo federal.

No final das contas, os danos provocados pelas enchentes podem superar aqueles deixados pelos alagamentos de 1993, cujos prejuízos somaram 20 bilhões de dólares e que mataram 48 pessoas.

No total, 24 mortes foram atribuídas até agora aos alagamentos e às tempestades violentas desde o final de maio.

Outras 40 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG