Enchentes causam 40 mortes e deixam rastro de destruição na Ilha da Madeira

Lisboa, 21 fev (EFE).- A paradisíaca Ilha da Madeira, em Portugal, foi devastada pelas enchentes de sábado, que causaram a morte de pelo menos 40 pessoas, embora as equipes de resgate acreditem que haja mais corpos nos veículos e casas soterrados por toneladas de lama.

EFE |

Alguns dos pontos que mais atraem turistas na baía de Funchal, a capital do arquipélago, viraram verdadeiros lamaçais. Nas ruas e estradas, equipes trabalham retirando o lixo e os escombros arrastados com violência pelas ladeiras da cidade.

Em meio às casas e automóveis destruídos, os bombeiros já encontraram os corpos de 17 pessoas. Porém, ainda não foi possível chegar a muitos lugares da periferia da cidade, onde as vias e as torres de transmissão de energia e de cabos de telefone foram varridas pela força das águas junto com casas inteiras.

O secretário de Assuntos Sociais do Governo regional, Francisco Ramos, disse à imprensa neste domingo que o número de mortos pode subir à medida que a Defesa Civil alcançar as partes altas da cidade mais atingidas e limpar áreas que estão cobertas de barro.

De Lisboa, partiram nas últimas horas vários aviões e uma fragata militar com ajuda médica, helicópteros, mergulhadores e especialistas da Guarda Nacional com cães farejadores.

O Governo nacional também enviou uma equipe de médicos legistas para acelerar o trabalho de identificação dos corpos, além de bombeiros e agentes da Defesa Civil.

As Forças Armadas, por sua vez, começaram a instalar pontes e recuperar estradas destruídas pelas enchentes, ao passo que o primeiro-ministro português, José Sócrates, disse nesta madrugada, após viajar para a ilha na noite de sábado, que "toda a ajuda de que o Governo regional precisar" está assegurada.

Toda a população da região, de 260 mil habitantes e que está quase totalmente concentrada na ilha que dá nome ao arquipélago, viveu momentos de pânico durante as 15 horas de chuvas torrenciais registradas ontem.

São vários os relatos na imprensa local das pessoas que se salvaram por pouco, instantes antes de suas casas serem soterradas pela lama ou arrastadas pela água.

Neusa Abreu contou que ela e o filho de 13 anos escaparam da morte porque sentiram a casa tremer com a força de uma enchente súbita na parte baixa de Funchal.

No bairro nobre de Pena, onde vive o chefe do Governo regional, Alberto João Jardim, a enchente levou embora um caminhão dos bombeiros, que arrastou junto vários carros, um deles com uma criança e adultos em seu interior.

Não muito longe dali, agentes da Defesa Civil recolheram o corpo de uma criança arrastada pelas águas e soterrada por lama.

Na zona norte da cidade, um táxi cheio de passageiros foi parar no jardim de uma casa, ao passo que em Trapiche, também na parte alta de Funchal, uma senhora morreu ao ver sua casa ser destruída pelo temporal.

No município de Santa Cruz, Claudia Ferrão e seu marido dormiam na madrugada de sábado quando sentiram o estrondo das águas inundando sua casa. Eles só tiveram tempo de sair com a roupa do corpo. Além arrastar o imóvel, a enchente levou dois carros, derrubou um muro de 15 metros e fez uma cratera na rua.

Em algumas regiões de Funchal e em suas imediações, o barro acumulado passa de cinco metros de altura. Em outras localidades, só é possível ver o tetos dos veículos e de casas soterradas.

Segundo as autoridades, um dos problemas da cidade no momento é a falta de água potável, dados os danos que a chuva causou às infraestruturas.

Também não há luz nem telefone em muitas regiões da ilha, às quais os serviços de manutenção não conseguem chegar simplesmente porque centenas de metros de ruas e estradas desapareceram.

O prefeito de Funchal, Miguel Albuquerque, declarou hoje que nas áreas mais altas cidade a situação vivida no sábado foi "dantesca".

Uma das prioridades agora, além do socorro às vítimas, é a limpeza do município e o restabelecimento dos serviços básicos.

No entanto, esse trabalho pode demorar vários dias, porque, apesar da ajuda do Governo nacional, hoje faltavam escavadeiras e caminhões para desentulhar as várias áreas da cidade tomadas por pedras e entulhos arrastados pelas enchentes.

Entre os distritos municipais mais afetados pelas inundações estão os de Ribeira Brava e Santo Antônio. Pequenas localidades da parte sul da ilha, como Serra d'Água, Curral das Freiras, Calheta,e Jardim do Mar amanheceram isolados, sem que as autoridades tivessem informações sobre possíveis vítimas entre a população local.

A parte norte foi menos atingida, mas também havia problemas de comunicação entre algumas localidades. EFE ecs/sc

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