Teresa Bouza. Washington, 11 mai (EFE).

Teresa Bouza. Washington, 11 mai (EFE).- Os diretores das empresas relacionadas com o vazamento no Golfo do México se culparam hoje mutuamente durante uma audiência no Senado que analisou o desastre. A primeira audiência pública sobre esta catástrofe ecológica apontou para problemas de segurança nas plataformas e de rigor no exercício do controle governamental. O presidente do Comitê de Energia do Senado, Jeff Bingaman, disse, no início da audiência, que a explosão da plataforma operada pela British Petroleum (BP), propriedade da Transocean e na qual a Halliburton trabalhou como subcontratada, obedece provavelmente a uma "cascata de erros técnicos, humanos e de regulamentação". Os executivos da BP, Transocean e Halliburton, falaram sob juramento e insistiram que é cedo para tirar conclusões, mas mesmo assim não titubearam em culpar-se mutuamente pela explosão da plataforma no dia 20 de abril. Calcula-se que 800 mil litros diários de petróleo, ao redor de cinco mil barris, fluem a cada dia para o Golfo desde então. "Escuto uma mensagem e a mensagem é 'não me culpem'", afirmou durante a audiência realizada no Comitê de Energia e Recursos Naturais o senador republicano John Barrasso, que disse que essa atitude não solucionará as coisas. Enquanto isso, vários manifestantes da organização Code Pink colavam cartazes na sala com mensagens como "BP mata" e "Boicote a BP". O primeiro a tomar a palavra foi Lamar McKay, presidente da filial americana da BP. McKay insistiu na necessidade de esclarecer a razão pela qual o equipamento de 450 toneladas situado na parte superior do poço que contém válvulas que podem ser fechadas mediante controle remoto para selá-lo em caso de emergência não funcionou. "A equipe do Transocean falhou", disse McKay. A Transocean "tinha a responsabilidade pela segurança", acrescentou o diretor da BP, que reconheceu, de todo modo, que os níveis de pressão no poço eram "anormais" antes da explosão. O responsável da Transocean, por sua vez, disse que todos os projetos de produção de gás e petróleo mar adentro "começam e terminam com o operador". Newman afirmou que a sugestão de que a equipe de selamento no exterior do poço foi o motivo do acidente "não faz sentido". Indicou que essa equipe tem como objetivo controlar a pressão e fechar rapidamente o fluxo de petróleo ou gás natural caso registre pressão "rápida e inesperada" procedente do interior do poço durante os trabalhos de perfuração. Já Tim Probert, responsável da divisão de negócios globais da Halliburton, disse que a empresa realizou o trabalho de acordo com os requisitos exigidos pela BP e segundo as práticas da indústria. Probert admitiu, no entanto, que não foi feita uma prova final para comprovar a resistência do cimento. A perfuração em águas profundas, que implica operações pelo menos a 300 metros, aumentou de forma significativa na última década nos Estados Unidos. Em 2008 havia ao redor de 141 projetos petrolíferos em águas profundas do Golfo do México, acima dos 122 do ano 2006, segundo o Departamento do Interior. Cerca de 30% do petróleo dos Estados Unidos procede do Golfo do México e três quartos da atividade produtora tem lugar em águas profundas. Precisamente, o Governo dos EUA anunciou hoje que cancelou cinco concessões de prospecção petrolífera no Alasca como resultado do vazamento de petróleo no Golfo do México e que deve reestruturar as agências de vigilância da indústria. O anúncio fez o secretário do Interior, Ken Salazar, dizer que vai estabelecer "um processo sustentado na ciência para a determinação das áreas apropriadas para a perfuração petrolífera" na plataforma continental exterior dos Estados Unidos. EFE tb/pb

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