Empresas prometem ajudar mortos a não levar ao caixão dados da internet

San Francisco, 1º abr (EFE).- Além de pecados inconfessáveis e segredos familiares, quando alguém morre leva para o caixão algumas informações que não poderão revelar nunca mais, como contrassenhas de contas bancárias ou a chave que dá acesso à página principal do site de relacionamentos da pessoa, por exemplo.

EFE |

Mas, à medida que a quantidade de informação pessoal disponível na rede cresce, mais empresas nos Estados Unidos estão oferecendo soluções para administrar os assuntos na internet em caso de morte.

Por preços em torno de US$ 25 ao ano, estas companhias guardam as chaves de acesso ao universo online e as entregam aos descendentes do indivíduo quando esse morre e não pode mais atualizar seu perfil no Orkut.

Não se trata só de permitir o acesso dos familiares ao dinheiro na conta bancária ou às milhas de uma companhia aérea.

Quando um amigo ao qual só conheciam pela internet deixou, de repente, de dar sinais de vida, Mike e Pamela Potter, do Colorado, pensaram que poderia ter morrido e entraram para a lista das pessoas que precisaram deste tipo de serviços.

Eles acabaram descobrindo que o amigo tinha apenas saído de férias para um local sem acesso a internet, mas deste incidente nasceu o Slightly Morbid, um site que permite criar uma lista de pessoas que devem ser notificadas em caso de morte ou acidente que impeça alguém de entrar na rede.

A página exige que o usuário confie a uma terceira pessoa os dados de sua conta de acesso ao sistema. Em caso de tragédia, o indivíduo notifica o Slightly Morbid, que envia uma mensagem automática para os contatos previamente escolhidos.

O sistema protege a privacidade do mundo online, mas segue exigindo a participação de uma pessoa de confiança.

Outros serviços, como o Deathswitch, com cerca de mil usuários, tentam evitar essa medida.

Por US$ 20 ao ano, os membros do site criam uma lista com a informação que desejam que seja enviada às pessoas próximas, incluindo mensagens de despedida ou vídeos.

O usuário deve acessar sua conta em determinados intervalos de tempo - por exemplo, uma semana- para confirmar que está vivo.

Caso deixe de fazer isso, o sistema tenta repetidamente entrar em contato com a pessoa e começará a mandar e-mails aos mais próximos se não houver resposta, esteja morto ou não.

Jeremy Toeman, fundador do Legacy Locker, apostou em um sistema mais conservador que requer inclusive uma cópia do atestado de óbito antes de começar a compartilhar a informação do falecido.

A companhia, que começará a oferecer os serviços em abril, trabalha intimamente com advogados e assessores de finanças, que, nos EUA, são encarregados de elaborar testamentos.

"Achamos que é um serviço muito valioso para todos aqueles que tenham diferentes contas na internet com contrassenhas distintas", disse Toeman à Agência Efe.

Ele acredita que a companhia será capaz de conseguir, a médio prazo, um bom número de usuários, porque está dirigida "a gente que já está gastando dinheiro de todas formas para organizar a herança dos bens fora da internet", ressalta.

O fundador do Legacy Locker percebeu que as pessoas não dão tanta atenção às posses na rede quando dão aos bens físicos. "Durante um voo no verão passado (hemisfério norte), me dei conta de que todos os meus bens estavam protegidos pelo meu testamento, mas não tinha estabelecido nada para meus ativos online", conta.

"A contrassenha do meu computador, minhas cinco contas de e-mail, meu crédito na Amazon...se algo acontecesse comigo, tudo ficaria inacessível para minha mulher, apesar de ter escrito um testamento", acrescenta o empresário, que tem também registrados mais de 70 domínios na internet.

O outro acontecimento que levou-o a criar a companhia foi a morte de um parente querido que levou para o túmulo seus segredos e suas contrassenhas.

"Costumava mandar e-mails para a minha avó, falecida em 2007 aos 94 anos". Quando morreu, Toeman e o pai tentaram entrar na conta de e-mail através da qual ela mantinha correspondência com parentes e amigos de todo o mundo, "mas foi impossível", explica. EFE pg/db

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