WASHINGTON - O presidente-eleito dos EUA, Barack Obama, deveria atenuar rapidamente o embargo a Cuba, instituído há cinco décadas, e rever a política de Washington em relação à ilha, disseram grupos empresariais norte-americanos na quinta-feira. Apoiamos a completa remoção de todas as restrições comerciais e de viagem a Cuba. Reconhecemos que a mudança pode não vir toda de uma vez, mas precisa começar por algum lugar, e precisa começar logo, disse o grupo em carta a Obama.

Eles recomendaram que os EUA comecem a discutir com Cuba formas de superar os quase 50 anos de desconfiança mútua, e que autorizem norte-americanos a viajarem para a ilha.

Os empresários recomendaram também que maquinário agrícola e pesado, entre alguns outros produtos, sejam retirados do embargo, como forma de ajudar na reconstrução da infra-estrutura cubana depois dos furacões Gustav e Ike.

O apelo partiu de entidades representativas de quase todos os setores agro-industriais, como Federação Americana da Agricultura, Mesa- Redonda Empresarial, Câmara de Comércio dos EUA, Federação Nacional do Varejo e Associação dos Fabricantes de Comestíveis.

"Estamos contentes que o senhor apóie a suspensão das restrições para remessas familiares de dinheiro, visitas e pacotes de apoio humanitário oriundos de cubano-americanos. São primeiros passos excelentes, mas pedimos ao senhor que também se comprometa com um exame abrangente da política dos EUA", disse a carta.

Em 1962, os EUA ampliaram um embargo de armas contra Cuba, para incluir outros produtos, depois que o governo comunista cubano confiscou bens de empresas norte-americanas na ilha.

As restrições da Guerra Fria foram transformadas em lei pelo Congresso em 1992, sob o nome de Lei da Democracia Cubana. O embargo se mantém sólido em grande parte devido à influência dos exilados cubanos da Flórida, Estado eleitoralmente importante nas eleições presidenciais.

Mas, com a eleição de Obama, a perspectiva de mudança melhorou, segundo Jake Colvin, vice-presidente de questões comerciais globais do Conselho Nacional de Comércio Exterior, cujos membros incluem Boeing, Caterpillar e Microsoft.

"Há um crescente otimismo de que dar esse tipo de pequenos passos que o presidente-eleito Obama prometeu, como aberturas diplomáticas e o relaxamento de restrições de viagem, poderia levar a mudanças mais substanciais posteriormente. As empresas querem estar preparadas para esse momento", disse Colvin. Obama pode tomar algumas iniciativas, mas remover completamente o embargo exigiria uma ação parlamentar.

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