Empresas japonesas aguardam com receio programa social de novo premiê

Jairo Mejía. Tóquio, 31 ago (EFE).- A eleição do opositor Yukio Hatoyama como primeiro-ministro do Japão, com um programa de reforma tributária e ajudas diretas ao cidadão, é vista com inquietação pelo poderoso setor empresarial japonês, ligado durante décadas ao antigo governo do Partido Liberal-Democrata (PLD).

EFE |

A economia mundial, mas especialmente a japonesa, está atenta aos passos que o Partido Democrático (PD) de Hatoyama vai tomar para pôr em prática um programa eleitoral que deverá lidar com uma dívida pública em aumento e o desemprego mais elevado do pós-guerra, 5,7%.

A maior associação patronal de empresários japonesa, a Keidanren, recebeu hoje com cautela a vitória do PD nas eleições de ontem e pediu cooperação ao novo grupo majoritário na Câmara Baixa para "conseguir resultados concretos em suas propostas de reforma tributária e seguridade social".

O PD propõe um ambicioso plano de ajudas diretas a famílias e aposentados, assim como uma reforma sanitária que se baseia no modelo europeu, ao que se somam cortes de impostos sobre os combustíveis e congelamento do imposto ao consumo, atualmente em 5%.

Para tudo isto, o novo Executivo vai precisar de 16,8 trilhões de ienes (US$ 126,6 bilhões de euros) até março de 2013, um número que para o PD pode ser alcançado com uma economia da despesa que se desperdiça na rígida estrutura burocrática do Estado.

As contas da futura equipe econômica do Governo japonês parecem ser complicadas, já que incluem uma reorganização de um terço do orçamento do país, acabar com o problema das pensões do envelhecido Japão e a queda do imposto de sociedades para pequenas e médias empresas.

Além disso, Hatoyama propõe uma reforma da seguridade social através de ambiciosas ajudas às famílias, aos agricultores e aos desempregados, além de baixar o preço das estradas e da educação.

Segundo seus planos, isto deveria reorientar a segunda economia do mundo para que dependa menos da demanda estrangeira e se fundamente no consumo interno.

Para grande parte das grandes empresas japonesas esse giro é uma medida positiva, mas já apareceram vozes de alerta, como no caso da Associação de Executivos, que assegurou que a situação fiscal no Japão é grave e é necessário saneá-la antes de abordar planos de gasto público.

A elite empresarial, que teve uma grande influência sobre o PLD que governou o país desde 1955, teme que as medidas de Hatoyama possam prejudicar a economia japonesa, a mais endividada dos países desenvolvidos, que alcançará em 2010 um valor equivalente a 225% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Além disso, na cruzada do PD contra a burocracia japonesa e seu princípio de "governar para o povo, não para as empresas" prometeu um aumento de salário mínimo em uma economia que acaba de sair de um ano em sua pior recessão.

O PLD tachou essas propostas de populistas e irrealizáveis, enquanto os eleitores depositaram sua confiança com a esperança de recuperar renda, acabar com a temporalidade laboral e conseguir um aumento dos salários em baixa.

Por enquanto, os mercados internacionais têm a certeza de que o financiamento dos planos do PD ajudará a emissão de bônus do Estado e um fortalecimento do iene, enquanto a Bolsa poderia responder positivamente a um aumento da demanda interna.

Hoje o índice Nikkei fechou em baixa de 0,39%, mas abriu em alta como resposta à esperada mudança de Governo.

O PD dá por certo com que os milionários planos de estímulo, aprovados durante este ano pelo primeiro-ministro em fim de mandato, Taro Aso, já estão esgotados, depois que conseguiram um crescimento do PIB no segundo trimestre de 3,7% a ritmo anual.

Hatoyama prepara-se para um desafio com um consumo interno em seu nível mais baixo em cinco anos, uma deflação na casa de 2,2% e um desemprego que ameaça chegar a 6%, um dia após ter comemorado a vitória com gritos de "banzai" (vida longa). EFE jmr/ma

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