Empresários vaiam Berlusconi por críticas a juízes

Roma, 25 jun (EFE) - Um grupo de empresários vaiou hoje o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, quando esse afirmou que os juízes que o perseguem são as metástases da democracia.

EFE |

Berlusconi, que tem abertos contra si dois processos, um deles por corrupção, recebeu as vaias e gritos de desaprovação durante discurso perante a assembléia de empresários do setor do turismo, comércio e artesanato Confesercenti.

As primeiras vaias foram recebidas justamente quando o chefe do Governo italiano disse que "os juízes politizados são as metástases da democracia".

"Vocês me convidaram", respondeu o magnata da televisão, que, em seguida, continuou a atacar os juízes, ao afirmar: "Forneço um dado.

De 1994 a 2006 houve mais de 789 promotores e juízes interessados no risco Berlusconi".

Segundo o chefe do Governo italiano, o interesse dos juízes era o de "subverter a democracia", mas ressaltou que "não conseguiram e não conseguirão".

"Os cidadãos têm o direito de ver governar quem eles escolheram, através de eleições livres, para comandar o país", alegou.

Após as declarações, as vaias continuaram, e, embora estivessem mescladas com aplausos de apoio e aprovação, Berlusconi acrescentou: "fico indignado quando alguém se deixa levar pela ala justicialista da magistratura".

"Também tenho fé na magistratura, mas após um calvário como este, estou indignado", assegurou.

Os ataques de Berlusconi aos juízes são recorrentes e os de hoje ocorreram depois que na terça-feira o Senado aprovou um decreto-lei do Governo pelo qual o magnata paralisará um dos processos que correm contra si.

Berlusconi é acusado de supostamente ter pagado mais de 500 mil euros a uma testemunha para que prestasse falso depoimento em outros dois julgamentos contra o primeiro-ministro italiano, nos quais foi absolvido.

O decreto-lei que paralisa esse processo bloqueia todos os crimes cometidos antes de 30 de junho de 2002 e com uma condenação menor a dez anos.

As associações de magistrados criticaram a norma, porque afirmam que, para frear o processo, Berlusconi bloqueia cem mil casos e "põe a Justiça de joelhos". EFE alg/db

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