Empresários pedem objetivos concretos contra mudança climática

Anxo Lamela. Copenhague, 24 mai (EFE).- Mais de 500 líderes empresariais de 50 países reunidos hoje em Copenhague na Cúpula Empresarial Mundial sobre Mudança Climática defenderam a necessidade de um marco legal claro e de objetivos concretos para lutar contra este fenômeno.

EFE |

A comunidade empresarial reivindicou iniciativas dos Governos, mas concordou quanto à necessidade de uma colaboração em todos os níveis para conseguir um acordo global na Cúpula Mundial do Clima que será realizada em seis meses na capital dinamarquesa.

Os líderes empresariais aceitaram o "desafio" lançado horas antes na abertura da conferência pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que defendeu uma economia "verde" e pressionar os respectivos Governos na busca de um acordo que substitua a partir de 2012 o Protocolo de Kioto.

Executivos de grandes empresas pediram aos políticos regras claras e abertas com objetivos para o longo prazo em um debate realizado no primeiro dia da cúpula, que termina terça-feira.

O diretor-executivo da sueca Ericsson, Carl-Henric Svanberg, ressaltou que as empresas podem transformar o "desafio climático" em uma oportunidade de negócio rentável ao apostar nas energias renováveis, mas lembrou a necessidade de marcos reguladores e leis efetivas para que isto possa acontecer.

"Os políticos devem assumir o problema, mas os empresários têm que atuar, não há tempo para esperar o que os Governos vão fazer", afirmou Indra Nooyi, diretora-executiva da Pepsi.

Durante a abertura da cúpula, Ban Ki-moon e o ex-vice-presidente americano Al Gore ressaltaram a importância do envolvimento da comunidade empresarial para alcançar um acordo que permita frear os efeitos da mudança climática, chamada pelo primeiro de "desafio definitivo".

O secretário-geral da ONU criticou a "excessiva" confiança em uma economia baseada em combustíveis fósseis e defendeu que o modo mais seguro para reduzir os riscos climáticos é diminuir as emissões daqueles, além de ressaltar a rentabilidade de apostar na energia "verde".

Gore, por sua vez, destacou a importância de regular corretamente os mercados e mandar os "recados corretos" à comunidade empresarial para evitar as piores consequências da "catástrofe" que se aproxima caso não haja uma reação diante do desafio da mudança climática.

Outro que insistiu na gravidade do problema foi o indiano Rajendra Pachauri, que preside o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da ONU e que dividiu com Gore o Prêmio Nobel da Paz há dois anos.

Pachauri destacou que a mudança climática é parte de um problema maior: um modelo de desenvolvimento baseado na superexploração dos recursos.

A cúpula empresarial, cujo objetivo é definir recomendações concretas já pensando no próximo acordo global sobre o clima, reúne mais de 800 participantes entre líderes empresariais, representantes governamentais, especialistas e ONGs.

A conferência continuará amanhã com vários debates paralelos sobre diferentes desafios relacionados à mudança climática e com um discurso do presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso.

Quase 300 ativistas participaram hoje de uma manifestação que terminou do lado de fora do centro de congressos Bella Center, onde a cúpula está sendo realizada.

Confrontos posteriores entre as forças de segurança e alguns manifestantes, que tentavam romper o cerco policial, provocaram a detenção de 38 pessoas, informou a Polícia. EFE alc/bba

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