Empresários pedem força de paz em Honduras sem Brasil

A principal associação de empresários de Honduras propôs a criação de uma força de paz internacional para monitorar a transição de poder no país, o retorno à Presidência do líder deposto, Manuel Zelaya, e a realização das eleições presidenciais marcadas para o dia 29 de novembro. Adolfo Facussé, presidente da Associação Nacional de Industriais de Honduras, formada por mais de 800 grandes e médias empresas hondurenhas, afirma, no entanto, que a proposta não contempla o Brasil.

BBC Brasil |

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    AP
    Zelaya distribui suco na embaixada do Brasil em Honduras

    Zelaya distribui suco na embaixada do Brasil em Honduras

    "O Brasil não entraria, não por ter feito algo errado, mas por conta do problema com a Embaixada. Só entrariam os países que permaneceram neutros no conflito, como Canadá, Panamá e Colômbia", disse Facussé, em entrevista à BBC Brasil.

    A embaixada do Brasil na capital hondurenha, Tegucigalpa, abriga desde o dia 21 de setembro o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya.

    O líder eleito hondurenho foi afastado do poder em 28 de junho e obrigado a embarcar para a Costa Rica. O argumento para depor Zelaya foi que a proposta dele de uma consulta popular sobre a criação de uma Constituinte, que discutiria a reformulação da Constituição do país.

    A carta consitucional de Honduras proíbe tais consultas. E os militares do país se negaram a colocar o pleito em prática. A ação de Zelaya foi vista como uma manobra para que ele pudesse alterar a Constituição e concorrer a um segundo mandato.

    Tropas neutras

    Dentro da lógica de criar uma força multinacional "neutra" expressa pelo empresário Facussé, estaria excluída também a Venezuela, do presidente Hugo Chávez, detestado por parte do empresariado hondurenho.

    Boa parte da classe empresarial do país julga que muitas das ações que contribuíram para o desgaste de Zelaya foram influência de Chávez, como o aumento de 60% do salário mínimo, diante de uma inflação de 10%, e o subsídio oferecido sobre gasolina e eletricidade.

    "Essa força internacional garantiria que vá se cumprir o acordo de paz, que ele vá ser implementado por ambas as partes", disse o empresário.

    Segundo Facussé, a idéia é que de 3 mil a 4 mil soldados das forças transnacionais permaneçam em território hondurenho por até quatro meses, para monitorar que os termos do acordos estariam sendo cumpridos.

    A proposta formulada por Facussé e por integrantes de sua entidade propõe, entre outros temas, a renúncia do presidente interino Roberto Micheletti e o retorno de Manuel Zelaya ao poder, mas com poderes diminuídos.

    Reuters
    Zelaya conversa com a mãe na embaixada do Brasil, em Honduras

    Zelaya conversa com a mãe na embaixada do Brasil, em Honduras



    O projeto ofereceria ainda uma anistia política "para todos os que cometeram atos ilegais, não só Zelaya, mas também os militares, já que extraditar o presidente do país sob mira de armas também foi uma violação de nossa Constituição".

    De modo a promover um contrapeso ao Presidente hondurenho, seria recriada uma instituição que já existiu na vida política de Honduras, mas que hoje está ausente, o Conselho Supremo de Planificação Econômica - um órgão integrado por diferentes setores da sociedade hondurenha, como movimentos camponeses, as Forças Armadas, os sindicatos e as empresas privadas.

    A proposta, segundo Facussé, já teria sido apresentada a Roberto Micheletti, que teria expressado aprovação ao projeto, a setores da resistência pró-Zelaya, aos candidatos na disputa presidencial, ao embaixador dos Estados Unidos no país, Hugo Llorens, e ao bispo auxiliar da Igreja Católica hondurenha, Juan José Pineda, que vem atuando como medidador nas conversas entre Zelaya e a administração interina.

    "Queremos quebrar o gelo e garantir que isso não vá acabar numa guerra civil, com milhares de mortos", disse Facussé.

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