Empresários pedem cautela à Casa Branca contra a Rússia

Por Doug Palmer WASHINGTON (Reuters) - Grupos empresariais norte-americanos pediram na quinta-feira que a Casa Branca aja com cautela em relação à Rússia e se queixaram da falta de informações sobre eventuais sanções relacionadas à crise na Geórgia.

Reuters |

'Fizemos um real esforço para descobrir e eles foram inteiramente não-comunicativos', disse Bill Reinsh, presidente do Conselho Nacional do Comércio Exterior, que representa exportadores norte-americanos como Boeing, Microsoft e General Electric .

'[Mas] saí com a claríssima impressão de que algo vai acontecer, que não fazer nada não é uma opção neste caso.

Estivemos dizendo a eles para serem muito cuidadosos antes de agir, e que qualquer coisa seja multilateral, não unilateral', acrescentou Reinsch.

Horas antes, a França anunciou que a União Européia cogita sanções contra a Rússia devido à ocupação militar da Geórgia.

Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, disse que o governo Bush está discutindo se vai anular um acordo nuclear com a Rússia, mas que é cedo para anunciar decisões.

'Está bastante evidente que o governo europeu e o nosso governo estão pesando as opções neste momento', disse Mike Considine, diretor de Assuntos Eurasianos da Câmara de Comércio dos EUA. 'A situação está claramente num nível sério, e eles estão tentando encontrar a forma correta de responder a isso'.

O comércio entre EUA e Rússia cresce significativamente nos últimos anos. Entre 2002 e 2007, as exportações russas saltaram de 8,6 bilhões para 19,4 bilhões de dólares, sendo 11 bilhões só em petróleo.

Da parte dos EUA, as exportações para a Rússia passaram de 2,4 bilhões de dólares em 2002 para 7,4 bilhões de dólares em 2007. Os principais produtos são frango, aviões, carros e equipamentos de perfuração.

As cifras não incluem serviços financeiros, segundo Gary Litman, vice-presidente da Câmara de Comércio dos EUA para a Europa e Eurásia. 'A Rússia tem cerca de 10 bilhões de dólares investidos nos Estados Unidos no setor industrial, e [os EUA] têm aproximadamente a mesma quantia investida por lá. Há realmente um intercâmbio econômico muito substancial', disse.

Por isso, ele defendeu que eventuais retaliações sejam políticas em vez de econômicas, e 'levem em conta o frágil estado dos jovens países entre os mares Negro e Cáspio' (Geórgia, Armênia e Azerbaijão, cujas economias são muito ligadas à da Rússia).

A Casa Branca alerta que uma das possíveis consequências da atual crise seria a não-adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio, um processo negociado há 15 anos.

O governo russo parece disposto a isso, pois nesta semana anunciou a intenção de abandonar alguns compromissos previamente assumidos com a OMC.

'Se eles decidirem que não querem manter a adesão à OMC, não podemos obrigá-los. Se eles se retirarem de algo, não tenho certeza de que isso qualifique uma sanção. Estou quase mais preocupado com como eles vão se virar sem nós do que nós sem eles', disse Reinsch.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG