As empresas da Rússia, China e México são as mais propensas a oferecer subornos quando fazem negócios em outros países, apontou a ONG alemã Transparência Internacional (TI) em um relatório publicado nesta terça-feira, Dia Internacional Anticorrupção.

Os empresários russos são os que mais recorrem ao suborno, segundo o índice de corrupção dos países exportadores (ICPE) para 2008, redigido pela ONG, especializada na denúncia da corrupção no mundo.

As companhias russas obtiveram 5,9 (numa escala de 0 a 10, na qual 10 representa a total ausência de corrupção), seguidas pelas chinesas (6,5), mexicanas (6,6) e indianas (6,8).

O Brasil aparece empatado com a Itália em 17º lugar (7,4), apenas uma posição acima dos quatro mais corruptos.

Entre os países cujas empresas recorrem menos à corrupção na hora de fechar negócios no estrangeiro estão Bélgica e Canadá (8,8), seguidos por Holanda e Suíça (8,7).

Estados Unidos, França e Cingapura ocupam juntos o nono lugar da lista de 22 países, com uma pontuação de 8,1.

Numa análise por áreas da economia, o relatório da TI indica que os setores da construção civil e das obras públicas são os mais expostos à oferta de propinas e subornos, seguidos pelo imobiliário e pelo comércio de gás e petróleo.

Na parte de cima da tabela, os setores mais "limpos" de corrupção são a pesca, os bancos, as finanças e a tecnologia da informação.

O ICPE 2008 apura a situação em 22 países, responsáveis por 75% das exportações mundiais. O último índice publicado pela ONG foi feito em 2006.

"O ICPE é a prova de que um certo número de empresas de grandes países exportadores continuam recorrendo à corrupção para prevalecer nos mercados estrangeiros, ainda que tenham consciência de que isto prejudica a reputação do mundo empresarial", declarou a presidente da TI, Huguette Labelle, citada em um comunicado.

"A desigualdade e a injustiça geradas pela corrupção mostram a que ponto é vital para os governos duplicar seus esforços para aplicar as leis existentes", acrescentou.

Para Labelle, as empresas também devem estabelecer suas próprias medidas internas oaea coibir a corrupção.

A ONG alemã faz um apelo em seu relatório para que os principais países exportadores cumpram as normas da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) na luta contra a corrupção.

O índice ICPE é calculado em função das respostas de 2.742 altos funcionários de empresas de 26 países desenvolvidos e em desenvolvimento, escolhidos de acordo com o volume de suas importações e de investimentos estrangeiros diretos.

yap/ap/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.