Empresários hondurenhos lançam proposta que prevê volta de Zelaya ao poder

TEGUCIGALPA - Um grupo de influentes empresários hondurenhos propôs nesta terça-feira um plano que prevê a restituição de Manuel Zelaya na presidência com faculdades restritas e o envio de uma força militar multinacional a Honduras, informou o líder dos industriais, Adolfo Facussé.

Redação com agências internacionais |

O plano para encontrar uma rápida solução para a crise hondurenha prevê que Zelaya seja reinstalado no poder, mas que, de imediato, se submeta aos tribunais de Justiça para responder pelas acusações que pesam contra ele, explicou Facussé.

"O presidente de fato Roberto Micheletti, de quem esperamos uma atitude patriótica, voltaria ao Congresso já não como presidente e sim como um deputado comum, e teria uma cadeira vitalícia, o que é inédito, mas não é proibido por lei", acrescentou Facussé, que lidera o grupo que fez a proposta.

Para garantir o cumprimento do acordo por todas as partes, seria pedido o envio de uma força multinacional, integrada por 3 mil militares ou policiais do Canadá, Panamá e Colômbia, afirmou Facussé, que não precisou se, para este propósito, seria pedido a tutela da ONU para esta força.

Visita de deputados brasileiros

Uma comissão de cinco deputados federais brasileiros deve desembarcar na quarta-feira em Tegucigalpa , capital de Honduras. O objetivo da viagem é ver as condições dos brasileiros e dos funcionários da embaixada do Brasil no país, que há mais de uma semana tem servido de abrigo ao presidente deposto, Manuel Zelaya.

Na capital hondurenha, os deputados brasileiros farão uma visita ao Parlamento local e à embaixada do Brasil. De acordo com o presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Severiano Alves (PDT-BA), a comissão não irá tratar sobre o retorno de Zelaya ao poder. "A comissão não tem a intenção de dialogar com o governo local. Trata-se de uma visita ao Parlamento do país", afirma Alves.

"O objetivo é exclusivamente voltado para a comunidade brasileira no país e para os funcionários da embaixada", reforçou o coordenador da comitiva, o deputado Raul Jungman (PPS-PE).

A comitiva não irá desembarcar em Tegucigalpa em voo da Força Aérea Brasileira. O grupo descerá em El Salvador e tomará um voo comercial até a capital de Honduras. "Não vamos desembarcar em Tegucigalpa porque a diplomacia brasileira não reconhece o governo local, então chegaremos como cidadãos", disse Jungman.

Quanto aos custos da viagem, Jungman reforçou que os gastos ficarão por conta dos deputados, e não da Câmara. Segundo ele, não haveria tempo hábil para aprovar a liberação dos recursos. Jungman afirmou ainda que o dinheiro não será reembolsado. Esses gastos incluem o voo comercial entre El Salvador e Tegucigalpa, hospedagem e alimentação.

O retorno da comissão está previsto para sexta-feira. Ainda nesta terça-feira, os deputados participam de um almoço com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

* Com reportagem de Sarah Barros, em Brasília

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