Empresários de Nova Friburgo pedem empréstimo de R$ 500 milhões para reerguer economia

Comerciantes da região estimam em R$ 300 milhões as perdas com enchentes

BBC Brasil |

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Empresários de Nova Friburgo se reúnem nesta quarta-feira com representantes de diferentes entidades para pedir linhas de crédito no valor de R$ 500 milhões para reerguer a economia da cidade, fortemente abalada pelas enchentes da semana passada.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Nova Friburgo (CDL) e do Sindicato do Comércio da cidade, Braulio Rezende, informou à BBC Brasil que o encontro será realizado entre os empresários e membros da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), do Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social (BNDES), da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.

“Vamos pedir um empréstimo de R$ 500 milhões com prazo para começar a pagar só daqui a um ano. Precisamos também que os juros sejam baixos, de no máximo 3%”, disse o presidente da CDL.

De acordo com Rezende, o dinheiro será aplicado na reconstrução de lojas, fábricas e hotéis afetados pelas enchentes e deslizamentos de terra, reposição de estoques, mercadorias, máquinas e equipamentos danificados.

Com a economia fortemente ancorada no turismo e na indústria, estima-se que Nova Friburgo tenha sofrido perdas de R$ 300 milhões.

“Esse cálculo inclui apenas os danos materiais, já existentes”, detalha Rezende. “Se pensarmos que as vendas daqui para frente vão despencar e que o turismo ficará muito prejudicado, esse valor é muito maior”, acrescentou, sem precisar a soma total.

Segundo Rezende, um dos setores que poderá ficar muito afetado é o da moda íntima. A cidade é o principal polo de produção nacional de moda íntima, com um faturamento anual de R$ 600 milhões.

“Muitas confecções foram atingidas por quedas de barreiras e enchentes e estão sofrendo com perdas de mercadoria e queda nas vendas”, afirma.

Reabertura

Rezende disse que está pedindo aos comerciantes que abram suas portas e voltem a funcionar o mais rapidamente possível.

“Com o comércio aberto, as pessoas têm a sensação de que a vida está voltando ao normal, que as coisas estão melhorando. Temos que manter o otimismo”, diz o presidente da CDL.

Mas muitos comerciantes não poderão atender ao seu pedido. José Luiz da Paixão, dono do supermercado Tio Dongo, um dos maiores da cidade, disse que perdeu toda a mercadoria e equipamentos.

Em entrevista à BBC Brasil, ele disse que terá de ficar fechado por pelo menos um mês e que seu prejuízo supera R$ 1,5 milhão.

"Não sobrou nada. Estamos jogando toda a comida fora”, diz ele. “Estou tentando recuperar uma geladeira”, diz decepcionado.

O empresário conta que esta é a quarta vez que seu estabelecimento sofre com as enchentes em Friburgo. Localizado em Conselheiro Paulino, o supermercado Tio Dongo fica em um ponto privilegiado do bairro, mas a proximidade com o rio sempre trouxe problemas.

“Nas outras vezes, a água subiu 80 centímetros e causou estragos, mas nada comparado com os da semana passada”, relata.

Paixão conta que depois da terceira inundação, há dois anos, instalou uma comporta de aço de 1,5 metro de altura em frente à entrada do supermercado para se proteger contra futuras enchentes.

Mas na semana passada, a água subiu 2,5 metros e invadiu todo o estabelecimento, que ocupa uma área de 1,2 mil metros quadrados.

Ele conta que desde a segunda enchente, em que sofreu danos de R$ 300 mil, não consegue seguro para o supermercado. “Nenhuma seguradora quer arriscar pagar tanto prejuízo”, diz.

Ele diz não ter planos de transferir o negócio para outra área da cidade, mas admite ter "medo do futuro”.
“Fico preocupado em colocar tudo no lugar de novo e a água levar tudo outra vez”, diz.

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