Empresário revela que levava acompanhantes para festas de Berlusconi

ROMA - O premiê italiano, Silvio Berlusconi, afirmou nesta quinta-feira que não irá renunciar, apesar das denúncias sexuais envolvendo seu nome, e disse que é o melhor primeiro-ministro da Itália. Na última quarta-feira, o jornal Corriere della Serra publicou trechos do depoimento de um empresário amigo do premiê que teria pago dezenas de garotas de programa para comparecerem às festas de Berlusconi em sua casa de praia e em sua residência em Roma.

Redação com agências internacionais |


Barbara Guerra está entre as mulheres levadas pelo empresário às festas / Reprodução


Segundo o "Corriere della Sera", Gianpaolo Tarantini, um empresário acusado de corrupção em Bari, no sul do país, teria contratado cerca de 30 mulheres dispostas a manter relações sexuais "se fossem solicitadas" durante 18 festas organizadas por Berlusconi em suas residências de Roma e da Sardenha entre setembro de 2008 e janeiro de 2009.

Algumas teriam recebido mil euros (cerca de R$ 2.600) "para ter relações sexuais" e outras "apenas receberam de volta o dinheiro que gastaram" para ir às festas, segundo Tarantini. Em seu depoimento à promotoria italiana, Tarantini afirmou que "apresentava as mulheres como amigas e algumas vezes mantinha sigilo sobre o pagamento".

Entre as mulheres supostamente pagas por Tarantini está a garota de programas Patrizia D'Addario, que já afirmou em etrevistas que passou várias noites com Berlusconi em sua casa em Roma. O premiê diz que não conhece D'Addario.

Ainda segundo o jornal "Corriere della Sera", participam também das festas algumas mulheres famosas por aparições na TV, como as modelos Carolina Marconi e Barbara Guerra, participantes do Big Brother italiano.

O empresário diz ter pago também pela presença da modelo brasileira Camilla Cordeiro Charao em uma festa no dia 17 de dezembro de 2008.

Outros nomes citados por Tarantini incluem Letizia Filippi, ex-namorada do jogador Cristiano Ronaldo, as modelos Michaela Pribisova e Linda Santaguida, e a atriz Clarissa Campironi.


Letizia Filippi, ex de Cristiano Ronaldo, é citada em depoimento de empresário / Reprodução

Berlusconi nega

Nesta quinta-feira, Berlusconi falou sobre o caso durante um encontro com o premiê espanhol Jose Luiz Zapatero. "Tarantini vinha a alguns jantares acompanhado de belas mulheres. Eram garotas trazidas por ele como amigas e conhecidas. Não há prostituição, isso é uma calúnia", afirmou o premiê.

"Eu nunca paguei um euro para obter sexo. Nunca. O prazer e a satisfação são as maiores realizações. Se você paga por uma mulher, que realização pode ter?", completou Berlusconi.

Ele também afirmou ser "o melhor premiê que a Itália teve em seus 150 anos de história". Suas respostas voltaram a atenção para ele durante a entrevista coletiva oferecida junto com o líder do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, na ilha de La Maddalena, no final de uma reunião bilateral entre Itália e Espanha, que ocorreu nesta quinta-feira.

EFE
Berlusconi (esq.) e Zapatero se reúnem na Espanha para discutir acordo bilateral

Berlusconi se definiu como o presidente do Executivo de "um país de playboys", incapaz de colocar em dúvida a capacidade das mulheres de ocupar cargos ministeriais, como se pensou no ano passado, após suas afirmações sobre um "governo rosa demais" de Zapatero.

Disse ainda que "as mulheres são o presente mais belo que Deus deu aos homens", um comentário com o qual ele mesmo confessou esperar receber aplausos, o que aconteceu no final, apesar de forçados.

Cocaína e poder

Em seu depoimento, o empresário Gianpaolo Tarantini afirma que tentava se aproximar de Berlusconi por interesses financeiros. "Quis me aproximar de Berlusconi e investi muito dinheiro para isso. Sabendo do gosto dele pelas mulheres, acompanhei jovens que apresentavam como minhas amigas, sem mencionar que, às vezes, pagava a elas", explicou.

A princípio, Tarantini está sendo investigado por induzir a prostituição. Mas a imprensa italiana diz que a Justiça também investiga o possível consumo de cocaína nos encontros organizados pelo empresário em sua própria casa. "Em nossa sociedade, os ingredientes para o sucesso são prostituição e cocaína", disse Tarantini, citado pelo La Stampa.

O jornal "La Repubblica" cita ainda um amigo íntimo de Tarantini, Nicola D., conhecido simplesmente como "Nic", que é a pista dos investigadores para provar crimes relacionados com o consumo de cocaína nas festas do premiê.

O diário assegura que "Nic" era o fornecedor de cocaína para as festas de Berlusconi, e que também frequentava os encontros, embora ele tenha confirmado que foi somente uma vez a uma residência do primeiro-ministro.

A relação de Tarantini com Berlusconi veio à tona por causa da investigação sobre os negócios do empresário e de intercepções telefônicas nas quais se falava de supostos pagamentos às jovens convidadas às festas do primeiro-ministro.

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