Buenos Aires, 9 nov (EFE) - O empresário venezuelano Guido Antonini Wilson afirmou que o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner lhe prometeu proteção em troca do silêncio no Caso da Mala, na primeira entrevista concedida a um veículo de comunicação argentino. Na reportagem, publicada hoje no jornal La Nación, Antonini Wilson insistiu em que, além dos US$ 800 mil com os quais foi detido em um aeroporto de Buenos Aires em 4 de agosto de 2007, outra mala com US$ 4,2 milhões entrou na Argentina, segundo ele, para financiar a campanha presidencial de Cristina Fernández de Kirchner. O venezuelano contou ao periódico detalhes do caso em Buenos Aires e falou sobre o teor de uma reunião que manteve com o então alto funcionário argentino Claudio Uberti, a quem Antonini Wilson acusa de ser o proprietário da mala com US$ 800 mil. No dia seguinte (do fato), nos reunimos no hotel e Uberti disse para mim que Kirchner tinha perguntado a ele como eu estava e tinha dito a ele que me sustentaria até a morte, afirmou. Quando disse isso sobre Kirchner, a sensação que tive é a de que queriam que me sentisse como se fizesse parte do crime, contou Antonini Wilson. Quando perguntei se ele tinha certeza de que o Governo estava se encarregando do assunto, Uberti disse: Peça-me o que quiser. O presidente me disse que você pode até ter uma licença para vender carne na Venezuela, relatou.

O empresário ressaltou que assinou uma ata que reconhecia que a mala apreendida era sua "para sair o mais rápido possível do aeroporto".

Além disso, deu detalhes sobre uma conversa que presenciou entre Diego Uzcátegui - que era gerente-geral da Petróleos de Venezuela S/A (PDVSA) para a América e teve que renunciar - e o filho Daniel, que viajou no mesmo vôo procedente de Caracas com Antonini Wilson, dirigentes da argentina Enarsa e da petrolífera venezuelana.

"Enquanto discutíamos, Diego perguntou ao filho sobre outra mala com US$ 4,2 milhões. E Daniel respondeu que a mala tinha passado", lembrou.

"Eu entrei em choque, e Diego pediu para que eu ficasse calmo e disse para mim que estava cansado de trazer malas nos 'Falcon'", assegurou, em referência aos aviões da PDVSA, de onde supostamente provinham os fundos.

O venezuelano, acusado de contrabando na Argentina, foi testemunha protegida em um julgamento que concluiu no início desse mês em Miami.

O júri americano acabou decidindo pela condenação do venezuelano Franklin Durán por conspirar e atuar ilegalmente nos Estados Unidos como um agente da Venezuela para que Antonini Wilson não revelasse a origem e destino do dinheiro. EFE cw/db

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