Empresário condenado deixa Embaixada suíça e se entrega à Polícia líbia

Trípoli, 22 fev (EFE).- O empresário suíço Max Goldi, condenado na Líbia a quatro meses de prisão, deixou hoje a Embaixada suíça em Trípoli, onde estava abrigado, e se entregou à Polícia líbia, tal como tinham exigido horas antes em um ultimato as autoridades do país, informou a agência oficial Jana.

EFE |

Logo após deixar o prédio diplomático, Goldi foi algemado por um policial líbio e levado a um veículo civil, que deixou o local posteriormente escoltado por outros carros policiais.

Horas antes, o outro empresário suíço retido na Líbia há 18 meses, Rachid Hamdani, tinha deixado a Embaixada acompanhado de vários funcionários líbios e foi levado ao serviço de controle de passaportes para obter um visto de saída do país.

Vários policiais líbios esperavam nesta manhã na sede da Embaixada suíça depois que o Governo determinou como prazo até 12h local de hoje (8h de Brasília) para que Goldi se entregasse, condenado a 16 meses de prisão por "permanência ilegal e exercício de atividades econômicas ilegais", mas sua pena foi reduzida em apelação a quatro meses.

No ultimato, o Governo líbio tinha exigido também que Rachid Hamdani, detido junto a Goldi mas absolvido pelos tribunais, deixasse o país o mais rápido possível.

O ministro de Exteriores líbio, Mousa Kousa ameaçou adotar "as disposições necessárias" caso não fosse respeitado o ultimato e considerou que a Embaixada suíça "utilizou a imunidade das representações diplomáticas em circunstâncias contrárias às regras internacionais".

"Abrigar pessoas procuradas pela justiça não faz parte das regras da imunidade e não entra dentro da missão das representações diplomáticas nos países que as abrigam", ressaltou Kousa. No entanto, ele não especificou que tipo de medidas tomaria seu Governo caso não fossem cumpridos seus pedidos.

A agência oficial "Jana" disse hoje que a Embaixada suíça "cumpriu o ultimato do Ministério de Exteriores para entregar o suíço absolvido pela Justiça para que deixe o país e para entregar à Polícia Judiciária o outro empresário condenado para que se aplique a pena imposta".

As relações entre Trípoli e Berna começaram a se deteriorar em julho de 2008 após a detenção em Genebra de um dos filhos do ditador líbio, Muammar Kadafi, acusado de maltratar seus empregados domésticos.

A Líbia deteve pouco depois Goldi e Hamdani e retirou grandes quantidades de seus fundos nos bancos suíços.

Na semana passada, Trípoli decidiu suspender a concessão de vistos de entrada no país a todos os cidadãos do Espaço Schengen (grupo de países europeus com livre circulação de cidadãos).

Essa medida foi adotada depois que Berna estabeleceu uma "lista negra" de líbios que não poderiam entrar na Suíça, entre eles Kadafi, vários membros de sua família e os principais dirigentes civis e militares do país. EFE fá/sa

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