Empresário americano acusa defesa de Olmert de difamação

Jerusalém, 20 jul (EFE) - O empresário americano Morris Talansky, principal testemunha na última investigação por suborno contra o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, acusou hoje os advogados do chefe de Governo de tentarem difamá-lo.

EFE |

No terceiro dia de interrogatório de Talansky pela defesa de Olmert, a testemunha explodiu perante as perguntas, que colocam em dúvida a veracidade do depoimento feito em maio, informa a imprensa local.

Talansky disse então ter entregado, durante os últimos 15 anos, envelopes cheios de dinheiro ao hoje chefe de Governo como doações para as campanhas eleitorais e para uso pessoal.

A defesa de Olmert vem afirmando à imprensa que o desenvolvimento do interrogatório, que deve levar outros dois dias, está revelando que Talansky é um "mentiroso compulsivo" que inventou a história dos envelopes.

O empresário insiste na veracidade do depoimento, mas reconhece que pode ter se enganado quanto a alguma data ou detalhe, porque os investigadores lhe confundiram com perguntas tendenciosas.

Hoje, o empresário judeu, de 75 anos, chegou a dizer que se sentia agora tão pressionado pela defesa de Olmert como fez frente aos investigadores da Polícia.

Além disso, pediu à Corte que considere o cansaço e os efeitos sobre sua vida pessoal e profissional que lhe está gerando tão longo interrogatório.

Em maio, quando o escândalo se tornou público, Olmert reconheceu que recebeu dinheiro de Talansky, mas insistiu em que nunca o usou para benefício próprio nem favoreceu o empresário em contrapartida, como suspeitam os investigadores.

Além disso, prometeu que renunciaria se fosse acusado no caso, que o obrigou, semanas depois, a anunciar a convocação de primárias para setembro e evitar, assim, eleições antecipadas, como pedia a oposição.

Olmert acredita que o interrogatório de Talansky o livrará de todas as acusações feitas contra si nos últimos meses.

No dia 11, agentes da União Nacional de Fraude lhe interrogaram em sua residência oficial em Jerusalém pela terceira vez com relação a este caso, mas a Promotoria ainda não apresentou uma ata de acusação.

No mesmo dia se tornou público que, além de ser investigado em relação com o dinheiro recebido de Talansky, Olmert também é suspeito de irregularidades na solicitação de financiamento a diferentes organismos.

A Polícia investiga se o primeiro-ministro duplicou faturas para pagar viagens para diferentes membros de sua família.

Olmert entregou estas faturas aos investigadores exatamente para defender a inocência no suposto caso de suborno.

No passado, o primeiro-ministro foi investigado por outros quatro casos de suposta corrupção ou suborno durante os mandatos como prefeito de Jerusalém e ministro da Indústria, mas nunca foi acusado. EFE ap/db

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