Empresária e filantropa, Cindy McCain é mais complexa do que aparenta

Teresa Bouza Washington, 4 set (EFE).- Cindy McCain, a rica herdeira do Arizona de sorriso impenetrável que passeava de Mercedes dourada quando estava na universidade, é discreta e complexa, uma empresária por obrigação e filantropa por devoção.

EFE |

A mulher do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, que em St. Paul (Minnesota) discursou antes do marido na convenção nacional republicana, nasceu em 20 de maio de 1954, em Phoenix, no Arizona.

Cindy Lou Hensley é a única filha do segundo casamento de James Hensley e Marguerite Smith, que tiveram filhos em uniões anteriores.

Seu pai, artilheiro durante a Segunda Guerra Mundial, criou uma pequena fábrica de licor, a Hensley & Co, que depois se tornou uma das maiores distribuidoras de cerveja do país.

Cindy cresceu em meio à fartura e diz ser "filha única", apesar de ter duas meio-irmãs.

Uma delas, Kathleen Hensley Portalski, nascida no primeiro casamento de James Hensley, se diz "ofendida" com a insistência de Cindy em se declarar filha única.

"Sinto-me como se eu não fosse uma pessoa", afirmou este mês em uma entrevista à "National Public Radio" ("NPR").

Polêmicas familiares à parte, é certo que Cindy cresceu com a atenção típica de qualquer filho único, se tornou a herdeira exclusiva do império erguido pelo pai e tem uma fortuna que, segundo cálculos, passa dos US$ 100 milhões.

Também é de conhecimento público que James Hensley preparou-a para assumir os negócios da família, ainda que ela se interessasse pela educação de crianças portadoras de deficiência.

Muitos nem imaginam, mas a herdeira dos Hensley tem mestrado em educação especial pela Universidade do Sul da Califórnia e trabalhou em um bairro pobre de Phoenix com crianças com síndrome de Down.

Na primavera de 1979, ela viajou com os pais para o Havaí, onde conheceu John McCain.

Quando os dois se conheceram, mentiram sua idade: McCain, de 41 anos, disse que tinha 37, e Cindy, de 24, declarou ter 27.

Segundo dizem, foi amor à primeira vista. O único problema é que McCain estava casado, embora sua relação não estivesse passando por uma boa fase. Menos de um ano depois, ambos estavam casados.

Após o matrimônio, McCain fez do Arizona sua terra adotiva e iniciou uma carreira política sustentada pela fortuna e pelos contatos do sogro.

Em 1982, conseguiu uma cadeira no Congresso e, por conta disso, os McCain se mudaram para Washington, cidade à qual Cindy não se adaptou.

Em 1984, a milionária descobriu que estava novamente grávida. Os médicos, então, lhe recomendaram repouso, já que Cindy tinha um histórico de abortos espontâneos. Foi assim que ela encontrou a desculpa perfeita para voltar para o Arizona.

De volta à terra natal, a herdeira assumiu as rédeas de um lar cujo chefe de família só chegava nos fins-de-semana e no qual foram criados sete filhos: três do primeiro casamento de McCain, três resultantes da união de Cindy com John, e um adotado em Bangladesh.

Cindy tentou conciliar suas obrigações de mãe com os já habituais compromissos empresariais e com as atividades filantrópicas das quais passou a participar após uma viagem à Micronésia, quando teve contato com as condições subumanas de hospitais dos países subdesenvolvidos.

Nessa época, fundou a organização American Voluntary Medical Team, dedicada a enviar remédios e material médico ao Terceiro Mundo.

O grupo acabou extinto algum tempo depois, devido a um dos episódios mais infelizes da vida de Cindy: viciada em analgésicos derivados do ópio, que tomava para abrandar fortes dores derivadas de inúmeras operações na coluna, a mulher de McCain chegou a roubar a própria organização que fundou para alimentar sua dependência.

Cindy admitiu seu problema em uma noite de 1992, depois que sua mãe, assustada com sua perda de peso e sua péssima aparência, perguntou-lhe o que estava acontecendo.

Seu marido só soube do caso um ano depois, quando foi aberta uma investigação para determinar a causa do sumiço de remédios da organização beneficente.

A caricatura publicada por um jornal na época, que a apresentou como uma drogada, e as críticas ao marido durante a campanha presidencial de 2000, que a fizeram chorar em público, levaram Cindy a erguer um impenetrável muro de proteção, que lhe valeu a fama de ser uma mulher distante e inacessível.

Seus discursos na campanha costumam começar com a frase "Serei breve". Depois deles, ela geralmente se senta ou fica de pé perto do marido, com um meio sorriso milimetricamente estudado e com seus brilhantes olhos azuis fixados em um ponto indeterminado.

Cindy, que sobreviveu a um derrame cerebral em 2004, pretende se transformar em uma primeira-dama ao estilo da princesa Diana.

"Com sorte, será uma experiência positiva", disse recentemente a esposa de McCain, uma mulher que ama colares de pérolas de várias voltas, é considerada refinada por seus partidários e tachada de preguiçosa por seus críticos, e que, aos 54 anos, ainda tem um ar juvenil, graças, em parte, ao seu rosto "esticado". EFE tb/bm/sc

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