Empresa chinesa desafia a poluição com plástico 100% biodegradável

Chen Xuejun sonha em ter um xampu com o frasco 100% biodegradável graças a um plástico inventado pela empresa chinesa para a qual trabalha.

AFP |

"Atualmente somos os únicos que comercializamos o PHBV, um material derivado do amido, transformado em glicose e depois fermentado. Há muitas unidades de pesquisa e desenvolvimento no mundo, mas não outra fábrica", disse Chen, fundador da empresa Tianan Biologic Material de Ningbo, um porto de Zhejiang (leste da China).

Nem uma gota de petróleo entra na composição deste polímero biodegradável do que a Tianan Biologic já tem uma capacidade de produção de 2.000 toneladas anuais.

Ele é feito à base de milho. "Podemos utilizar todos os tipos de amido, mas, na China, o do milho não é muito caro", explicou Liu Hui, diretor de marketing da empresa.

"O resultado é um material muito resistente ao calor e aos dissolventes", acrescentou.

Para provar o que estava falando, Chen colocou uma caixa em PHBV em água fervendo e mostrou que ela não sofreu dano algum. Depois, repetiu a operação, mas desta vez com uma caixa em outro tipo de polímero biodegradável, o PLA, que é ácido polilático também produto da fermentação de açúcares vegetais ou amido. Esta última, em contrapartida, ficou deformada.

"O PLA, cada vez mais usado para substituir as sacolas plásticas tradicionais, não suporta uma temperatura superior a 60ºC ", explicou Chen, acrescentando orgulhoso que basta misturá-lo com nosso PHBV para torná-lo resistente.

O fundador da Tianan Biologic - que comprou uma patente da prestigiosa universidade Tsinghua de Pequim, conta com esta superioridade para conseguir o sucesso de seu produto.

"O PHBV é o futuro", afirmou, referindo-se ao seu produto como embalagem que protege contra o excesso de calor, começando pelo lápis de lábios, para evitar que derreta, por exemplo, quando esquecido no porta luvas do carro.

No entanto, Chen sabe que "os cosméticos já são o suficientemente caros para suportar o custo de uma embalagem ainda mais cara".

Isto porque o PHBV continua sendo um produto mais caro que o plástico normal, admitiu Chen.

"Atualmente a tonelada custa 3.740 euros, mas espero que possamos reduzir este valor num futuro não muito distante, quando aumentarmos nossa produção", afirmou.

A empresa iniciou sua produção em 2003, mas ainda não trabalha a pleno vapor, embora pretenda fazê-lo em breve, respeitando as normas internacionais do meio ambiente, afirmaram seus diretores.

Em 2007 vendeu menos de 200 toneladas de PHBV, mas vendeu mais que o dobro desta quantidade somente neste ano a cerca de 100 clientes, sobretudo os europeus, com os alemães na cabeça, embora também americanos e japoneses.

O principal cliente de Chen é uma empresa americana, a Design Ideas, que comercializa objetos coloridos para banheiros, embora a sociedade chinesa já tenha outros acordos de venda com "gigantes" como o alemão BASF.

Agora a Tianan Biologic tem apenas mais um passo a dar para ser verdadeiramente ecológica, deixar de usar os cereais como matéria-primas.

"O dia em que conseguirmos separar a glicose, poderemos utilizar erva. Mas esta técnica ainda é muito complexa", reconheceu.

jg/lm

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