Emissora árabe Al-Jazeera é banida no Egito

Direção da rede de TV diz que decisão "tem o objetivo de sufocar e reprimir" a liberdade de imprensa

iG São Paulo |

A direção da emissora de televisão árabe Al-Jazeera afirmou neste domingo que autoridades egípcias ordenaram o fechamento de seus escritórios no Cairo. A rede de TV, que tem sede no Catar, faz intensa cobertura dos protestos que acontecem no Egito desde terça-feira.

Em comunicado, a direção da emissora afirmou que a decisão "tem o objetivo de sufocar e reprimir" a liberdade de imprensa. Segundo a Al-Jazeera, seus escritórios no Cairo foram interditados e todos os jornalistas tiveram suas credenciais de imprensa confiscadas.

Segundo a agência oficial Mena, a decisão foi tomada pelo ministro egípcio da Informação, Anas El Feki. A medida teria sido tomada apesar de o gabinete do governo ter renunciado no sábado, e de a nova composição dos ministérios não ter sido anunciada.

A agência não explicou o motivo da decisão, comunicando apenas que o ministro "ordenou que a Al-Jazeera na República Árabe do Egito feche as portas (...), que sejam canceladas suas autorizações e que sejam retirados os crachás de imprensa de seus funcionários a partir de hoje (domingo)".

A versão em inglês da Al-Jazeera continua transmitindo imagens do Cairo ao vivo, mas sem a presença de repórteres. O canal em árabe tranmite imagens da noite de sábado enquanto comentaristas e jornalistas discutem a legitimidade da proibição.

Um apresentador afirmou, ainda, que os correspondentes da Al-Jazeera no Cairo estão "confinados" no escritório da emissora.

Onda de protestos

O Egito vive uma onda de protestos contra o presidente Hosni Mubarak, que está no poder desde 1981. Para tentar conter as manifestações, o líder pediu que seus ministro renunciassem, o que aconteceu na manhã de sábado. Mubarak já nomeou um novo premiê e, pela primeira vez em seu governo, um vice-presidente. As mudanças não foram suficientes para conter os protestos, levando o Exército a estender o toque de recolher vigente no país. A medida passou a valer para o período entre 16h e 8h no horário local (12h e 4h de Brasília), um aumento de três horas em relação ao toque de recolher anunciado na sexta-feira.

No Cairo, tanques e veículos blindados estão nas ruas, principalmente em locais como a praça Tahrir, epicentro dos protestos de sexta-feira, quando o presidente convocou o Exército para conter a população - algo que não acontecia no país desde 1985.

Com AP e EFE

    Leia tudo sobre: al-jazeeraegitoprotestosdia da irahosni mubarak

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG