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Emissário dos EUA chega a Israel para abrir posto avançado da Casa Branca

O emissário especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, chega nesta segunda-feira a Israel para abrir um escritório permanente em Jerusalém, que deverá fiscalizar a atuação do governo israelense na Cisjordânia. Mitchell deverá informar diretamente a Casa Branca sobre qualquer desdobramento contrário à nova estratégia do presidente Barack Obama para a região.

BBC Brasil |

A vinda do emissário vem poucos dias depois do discurso do presidente americano, Barack Obama, no Cairo, no qual ele reiterou a exigência de um congelamento total da construção de assentamentos israelenses nos territórios ocupados.

Para a imprensa israelense, o escritório de Mitchell em Jerusalém servirá como um "posto avançado" da Casa Branca em Israel que informará "diretamente e diariamente a Casa Branca sobre o andamento do congelamento dos assentamentos".

Assentamentos
A questão dos assentamentos tem estado no centro de profundas divergências entre Israel e o governo de Barack Obama.

O governo de Binyamin Netanyahu afirma que "houve um entendimento com o ex-presidente George W. Bush sobre a continuação da construção nos grandes blocos de assentamentos para suprir as necessidades de crescimento natural".

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, no entanto, negou os "entendimentos".

"O governo anterior não passou ao governo atual qualquer orientação nesse sentido", afirmou Clinton, reiterando a exigência americana de que "todas as construções" de assentamentos na Cisjordânia sejam congeladas.

Relatório Mitchell
Mitchell é conhecido por sua posição incisiva contra a ampliação dos assentamentos israelenses, desde 2001, quando escreveu um relatório - conhecido como Relatório Mitchell - traçando um paralelo entre a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e a violência de militantes palestinos.

O relatório, encomendado pelo presidente George W. Bush, exigia que Israel congelasse totalmente a construção de assentamentos, inclusive a expansão para fins chamados por Israel de "crescimento natural". O documento também exigia que os grupos militantes palestinos parassem os atos de violência contra civis israelenses.

Segundo o ministério das Relações Exteriores de Israel, seria "desumano congelar o crescimento natural dos assentamentos".

De acordo com o jornal Haaretz, o ministro do Interior, Eli Ishai, do partido ultraortodoxo Shas, instruiu seus subordinados a agir no sentido de ampliar a área municipal dos assentamentos na Cisjordânia.

"Os povoados da Judeia e Samaria (nome bíblico para a Cisjordânia) sofreram, durante anos, de discriminação e vários tipos de deturpação", disse o ministro.

Segundo Ishai, o congelamento significa "a expulsão física" de colonos.

O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, declarou que no próximo domingo irá responder ao discurso que o presidente Obama fez na Universidade do Cairo, com um discurso na Universidade de Bar Ilan, no qual "explicará, em detalhes, a posição de Israel sobre o processo de paz".

A escolha da Universidade de Bar Ilan como local do discurso pode ter um significado politico.

A universidade é uma instituição religiosa, identificada com a corrente nacionalista-religiosa da politica israelense, que apoia os assentamentos israelenses na Cisjordânia.

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