Emissão de carbono em países ricos caiu em 2006, diz estudo

Por Alister Doyle OSLO (Reuters) - As emissões de gases do efeito estufa nos países ricos caiu em 2006 pela primeira vez em cinco anos - uma redução de 0,1 por cento apesar do robusto crescimento econômico daquele ano, segundo um levantamento da Reuters com base nos últimos dados disponíveis e divulgado na sexta-feira.

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O resultado é menos sombrio do que um relatório desta semana, com estimativas relativas a 2007, segundo o qual as emissões globais de carbono estão crescendo - um pouco nos países desenvolvidos e muito em grandes nações em desenvolvimento, como China e Índia.

A pesquisa Reuters, com dados submetidos por 40 países industrializados ao Secretariado de Mudança Climática da ONU, o que serve de critério para que a entidade avalie o cumprimento das metas climáticas, indicou que as emissões caíram do equivalente a 18,03 bilhões de toneladas de dióxido de carbono para 18,01 toneladas.

O inverno ameno nos EUA, que reduziu a demanda por energia para calefação, e a alta do petróleo podem ter contribuído decisivamente para a pequena redução nas emissões. A maioria dos especialistas concorda que nos últimos anos o avanço dos países ricos na busca por maior eficiência energética praticamente parou, apesar dos programas de combate ao aquecimento global.

O crescimento médio de 3 por cento nos países desenvolvidos em 2006, segundo estimativas do FMI, deveria ter contribuído com um aumento das emissões. "É um pouco surpreendente descobrir uma queda em 2006", disse Knut Alfsen, diretor de pesquisas do Centro para a Pesquisa Internacional do Clima e Meio Ambiente, em Oslo.

As emissões haviam caído pela última vez em 2001, quando os ataques suicidas do 11 de Setembro agravaram uma desaceleração econômica.

A atual crise econômica deve levar a uma nova redução das emissões em 2008. No final de 2009, países de todo o mundo se reúnem para definir um novo tratado climático que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2012.

Os dados oficiais dos governos, a serem oficialmente lançados de forma compilada em outubro, também mostram que as emissões estão 4,7 por cento abaixo dos níveis de 1990, o parâmetro estipulado pela ONU para a redução. A queda se deve principalmente devido à desativação das poluentes fábricas do antigo bloco soviético.

O levantamento da Reuters mostra que as emissões da Turquia foram as que mais cresceram desde 1990 entre os países industrializados (95 por cento). As da Letônia foram as que mais caíram (56 por cento).

Na quinta-feira, o Projeto Carbono Global, formado por importantes especialistas, disse que as emissões mundiais de dióxido de carbono estão crescendo quatro vezes mais rápido desde 2000 do que na década anterior. A tendência se deve ao aumento das emissões nos países em desenvolvimento, que não precisam apresentar seus dados à ONU.

"As emissões dos países ricos são relativamente planas..., os números que temos demonstram um aumento muito ligeiro", disse à Reuters Corinne Le Quere, da Universidade de East Anglia (Grã-Bretanha), cientista envolvida no Projeto Carbono Global.

"As nações em desenvolvimento estão emitindo mais, mais rápido do que pensávamos, e as melhorias das nações ricas em termos energéticos não são tão rápidas quanto o esperado."

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